Órgão negou procedimento sumário – rito rápido, em outras palavras – para avaliar a operação e apontou dúvidas sobre compra da Fazenda Conforto pela JBJ e possível concentração de mercado na cadeia da pecuária de corte
A compra da Fazenda Conforto, em Nova Crixás (GO), pela JBJ Agropecuária, empresa controlada por José Batista Júnior, o Júnior Friboi, terá uma análise mais longa no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. O órgão negou o pedido para que a operação fosse avaliada pelo procedimento sumário, modelo usado em casos considerados mais simples do ponto de vista concorrencial.
Com a decisão, o negócio passa a seguir o rito ordinário, que permite uma avaliação mais aprofundada dos possíveis impactos da aquisição no mercado. Na prática, a operação não foi barrada, mas sua conclusão dependerá da aprovação do Cade.
O despacho foi assinado pelo superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto de Souza, que apontou dúvidas sobre a participação conjunta das empresas em mercados onde atuam diretamente e também sobre possíveis efeitos em mercados verticalmente integrados. Ou seja, o órgão quer entender se a união dos ativos pode gerar concentração relevante em diferentes etapas da cadeia, como criação, confinamento, fornecimento de gado, abate e comercialização de carne.
Segundo os documentos apresentados ao Cade, a defesa da operação argumentou que a sobreposição vertical seria apenas “potencial” e que a compra não inclui os ativos biológicos, ou seja, o rebanho. Ainda assim, o órgão entendeu que o caso exige análise mais detalhada.
Com a negativa ao rito sumário, o Cade tem até 240 dias para avaliar a aquisição, prazo que pode ser prorrogado por mais 90 dias. A decisão final poderá aprovar a operação sem restrições, aprová-la com condicionantes ou, em cenário mais extremo, reprovar o negócio.
A Fazenda Conforto é considerada um dos maiores confinamentos do Brasil. Localizada em Goiás, possui cerca de 12 mil hectares, capacidade estática para aproximadamente 76 mil animais e giro anual estimado em 180 mil cabeças. A estrutura inclui fábrica de ração, silos de armazenagem, planta de biofertilizantes, área irrigada, energia fotovoltaica, represa e área de reserva ambiental.
A aquisição, anunciada em abril, envolve o conjunto patrimonial da propriedade, incluindo imóvel rural, benfeitorias, infraestrutura produtiva, instalações e equipamentos. O valor da operação não foi divulgado oficialmente, mas o mercado trata o negócio como um dos maiores movimentos recentes da pecuária brasileira.
Para a JBJ, a compra representa um passo estratégico na ampliação da sua presença na pecuária de corte. O grupo já atua em criação, recria, confinamento, produção de insumos para ração, melhoramento genético, abate de bovinos, varejo de carnes e outros negócios ligados ao agro.
Agora, o caso passa a ser acompanhado como um teste importante sobre a nova escala da pecuária brasileira. Mais do que uma compra de fazenda, a operação envolve um dos principais ativos de confinamento do país e um grupo com atuação relevante em diferentes etapas da cadeia da carne bovina.
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