Boi gordo segue firme e inicia abril com preços acima de R$ 361/@ apoiado na oferta restrita

Arroba do boi gordo rompe os R$ 361/@ e mercado inicia abril com suporte das consultorias; mercado mantém pressão de alta e apontam combinação de oferta restrita, escalas curtas e exportações fortes como pilares da valorização

O mercado do boi gordo iniciou abril mantendo o ritmo firme observado nas últimas semanas, com negociações acima da referência média e avanço consistente da arroba nas principais praças pecuária do país. O cenário reforça um movimento estrutural de sustentação dos preços, sustentado principalmente pela restrição na oferta de animais terminados e pelo bom desempenho das exportações.

Em estados como São Paulo e Mato Grosso, os negócios já superam com frequência a marca de R$ 360/@, indicando a consolidação de um novo patamar para o mercado físico neste início de mês.

A base desse movimento continua sendo a limitação na oferta. Segundo a Safras & Mercado, as escalas de abate seguem encurtadas em grande parte do país, elevando a competição entre frigoríficos. Na prática, a indústria precisa pagar mais para garantir matéria-prima, diante da dificuldade em formar programações confortáveis.

Essa leitura é reforçada pela Agrifatto, que destaca escalas médias ao redor de cinco dias, evidenciando a dificuldade dos frigoríficos em assegurar volume suficiente. Com isso, o mercado entra em um ambiente onde o pecuarista ganha poder de negociação, enquanto a indústria perde margem para pressionar preços. As negociações, nesse contexto, acabam ocorrendo nos níveis pedidos pelo vendedor.

Outro fator relevante é o bom momento das pastagens ao final do período chuvoso, que permite ao produtor segurar os animais no campo e adotar uma estratégia de venda mais gradual, reduzindo ainda mais a oferta imediata.

Do lado da demanda, as exportações seguem como um dos principais pilares de sustentação no mercado do boi gordo. O ritmo firme dos embarques, com destaque para a atuação da China, mantém o escoamento ativo e contribui diretamente para a manutenção dos preços em níveis elevados.

Mesmo com o mercado interno mais lento neste início de mês — movimento típico de virada de ciclo —, não houve pressão suficiente para derrubar as cotações. De acordo com a Scot Consultoria, a ponta vendedora segue firme, com pedidos mais altos sendo aceitos pela indústria, que precisa recompor escalas curtas.

Os dados mais recentes da Safras & Mercado mostram que a arroba do boi gordo segue valorizada nas principais regiões:

  • São Paulo: R$ 361,83/@ (ante R$ 360,75)
  • Goiás: R$ 341,96/@ (estável)
  • Minas Gerais: R$ 350,29/@ (ante R$ 347,35)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 351,93/@ (ante R$ 349,32)
  • Mato Grosso: R$ 358,51/@ (ante R$ 356,82)

Os números reforçam que, mesmo onde não há altas expressivas, o mercado segue sustentado em patamares elevados, com viés positivo em diversas regiões.

No atacado, a carne bovina também permanece firme, refletindo a menor disponibilidade de produto. Mesmo com perda de competitividade frente a outras proteínas, os preços seguem elevados:

  • Quarto traseiro: R$ 27,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 21,80/kg
  • Ponta de agulha: R$ 20,00/kg

Esse comportamento evidencia que a restrição de oferta continua sendo o principal vetor do mercado, superando os efeitos de uma demanda interna mais enfraquecida.

Já no mercado futuro, a B3 registrou leve recuo nos contratos do boi gordo, com o vencimento abril/26 cotado próximo de R$ 364,95/@, em um movimento de ajuste técnico após as recentes altas. Ainda assim, o patamar permanece alinhado ao mercado físico, sem indicar reversão de tendência no curto prazo.

A leitura consolidada das consultorias é clara: o mercado do boi gordo segue sustentado pela combinação de oferta curta, escalas apertadas e exportações aquecidas. Enquanto esse cenário persistir, a tendência é de manutenção dos preços em níveis elevados, com possibilidade de novas altas caso a disputa por animais se intensifique ao longo de abril.

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