Boi gordo mostra força e arroba se mantém firme mesmo com pressão da indústria

Mesmo com frigoríficos pressionando o por preços menores e incertezas no cenário externo, exportações aquecidas e oferta restrita ainda sustentam as cotações do boi gordo, segundo Agrifatto, Safras & Mercado e Scot Consultoria

O mercado do boi gordo retomou as negociações após o feriado em um cenário marcado por cautela e equilíbrio. Apesar das tentativas de pressão por parte da indústria frigorífica, a arroba segue firme nas principais praças do país, sustentada por fundamentos ainda consistentes. O momento é de indefinição, com agentes atentos aos próximos movimentos que podem ditar o rumo dos preços.

De um lado, os fatores de sustentação seguem presentes. De acordo com a Agrifatto, o bom ritmo das exportações de carne bovina e a oferta restrita de animais terminados continuam dando suporte ao mercado físico, limitando quedas mais expressivas.

Por outro lado, a pressão baixista ganha força, principalmente por parte dos frigoríficos. Segundo análise da Safras & Mercado, algumas indústrias chegaram a se afastar momentaneamente das compras, avaliando estratégias diante do cenário atual e aguardando melhores oportunidades de aquisição.

Esse comportamento também está ligado a fatores externos. A própria Safras & Mercado destaca que a evolução da cota de exportação para a China, estimada em 1,1 milhão de toneladas sem sobretaxa, é um ponto de atenção relevante. Com o possível esgotamento desse volume na virada do semestre, o mercado pode enfrentar mudanças importantes na dinâmica de preços.

Estabilidade predomina, mas com movimentações pontuais nas regiões

Mesmo com esse cenário de disputa entre forças de alta e baixa, as cotações do boi gordo seguem relativamente estáveis. No início da semana, segundo levantamento da Agrifatto, a maior parte das praças manteve os preços inalterados, embora algumas regiões tenham registrado valorizações discretas, especialmente em estados como AL, BA, ES, MA, RJ, RO, RS e SC.

Na quarta-feira (22), São Paulo — principal referência do mercado — sustentou a arroba em torno de R$ 370, enquanto a média nacional ficou próxima de R$ 347,70, conforme dados da consultoria.

Já o levantamento da Safras & Mercado mostra as seguintes referências de preços:

  • São Paulo: R$ 369,08
  • Goiás: R$ 354,64
  • Minas Gerais: R$ 356,76
  • Mato Grosso do Sul: R$ 358,30
  • Mato Grosso: R$ 364,86

Apesar da estabilidade, já há tentativas claras de compra a preços menores, especialmente após o feriado, período em que o ritmo de negócios tende a ser mais lento e favorece a indústria na negociação.

Escalas de abate e consumo limitam avanços

Outro fator relevante é a evolução das escalas de abate. De acordo com a Scot Consultoria, parte dos frigoríficos conseguiu alongar suas programações, beneficiados pelo menor número de dias úteis na semana do feriado. Com isso, a urgência por compras diminui, abrindo espaço para tentativas de pressão sobre os preços.

No mercado atacadista, o cenário também é de acomodação. Segundo a Safras & Mercado, o consumo interno segue enfraquecido, com o baixo poder de compra da população direcionando a demanda para proteínas mais acessíveis, como a carne de frango, o que limita reajustes mais firmes na carne bovina.

Entre os principais cortes no atacado, os preços se mantêm estáveis:

  • Quarto dianteiro: R$ 23/kg
  • Quarto traseiro: R$ 28/kg
  • Ponta de agulha: R$ 21/kg

Mercado futuro do boi gordo sinaliza cautela

Enquanto o mercado físico se mantém firme, o mercado futuro já apresenta sinais de alerta. Segundo dados da Agrifatto, os contratos do boi gordo na B3 registraram queda recente, com o vencimento para junho de 2026 cotado a R$ 334,80/@, recuo de 0,61% no dia.

Para a consultoria, a maior frequência de quedas nos contratos futuros exige atenção redobrada dos agentes da cadeia, já que pode antecipar movimentos de ajuste no mercado físico.

Entre sustentação e pressão, mercado segue indefinido

O cenário atual da pecuária brasileira é de equilíbrio delicado. A combinação entre oferta restrita e exportações fortes sustenta os preços do boi gordo, mas fatores como o consumo interno enfraquecido, a atuação mais cautelosa dos frigoríficos e as incertezas com a China impedem avanços mais consistentes.

Sem um gatilho claro para alta ou queda, o mercado do boi gordo segue operando em estabilidade — mas com todos os olhos voltados para os próximos movimentos, que devem definir o comportamento da arroba nas próximas semanas.

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