Biometria ganha espaço no crédito rural e pode reduzir custos em até 30%

Uso da biometria no crédito rural avança, reduz custos operacionais e amplia eficiência nas operações do setor.

O agronegócio brasileiro segue como um dos principais motores da economia em 2026. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o setor deve responder por cerca de 6,9% do PIB nacional, reforçando seu papel estratégico no crescimento do país. Esse protagonismo também se reflete no crédito rural: somente em 2025, foram realizadas mais de 1,9 milhão de operações, totalizando mais de R$ 475 bilhões.

Para sustentar esse ritmo, o Plano Safra 2025–2026 prevê recursos superiores a R$ 605,2 bilhões — dos quais R$ 354,4 bilhões já foram liberados até fevereiro deste ano, um avanço de 7% em relação ao ciclo anterior.

Irrigação orientada por dados ganha espaço no campo e muda a forma de decidir do produtor

Digitalização avança, mas desafios persistem

Com a digitalização acelerando no campo, instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR) digital já registram crescimento de 39%. Apesar disso, o avanço tecnológico traz novos desafios, especialmente relacionados à segurança e ao acesso em regiões remotas.

A verificação de identidade ainda é um dos principais gargalos do crédito rural, principalmente em áreas com baixa infraestrutura digital. Em regiões como o Centro-Oeste e o Norte do país, produtores frequentemente precisam percorrer entre 150 e 300 quilômetros para formalizar contratos.

Biometria reduz custos e amplia acesso

Nesse cenário, a biometria surge como uma solução estratégica. De acordo com estimativas da JPMorgan Chase, a tecnologia pode reduzir em até 30% os custos operacionais do crédito agrícola ao substituir processos manuais por validações digitais.

Na prática, o impacto é direto no bolso do produtor. A possibilidade de validação remota elimina deslocamentos e pode gerar economia de R$ 500 a R$ 2.000 por contrato em combustível, tempo e logística.

Além disso, instituições financeiras também se beneficiam. Estudos da Ken Research indicam que bancos podem reduzir em até 29% o abandono de solicitações de crédito ao eliminar etapas presenciais, além de diminuir em até 18% erros operacionais e duplicidade de dados.

Mais agilidade no acesso ao crédito

Outro ganho relevante está no tempo de liberação dos recursos. Processos que antes levavam de 15 a 45 dias podem ser concluídos em menos de 48 horas com o uso combinado de biometria e CPR digital.

A tecnologia permite que toda a validação de identidade seja feita pelo celular, com autenticação segura e armazenamento criptografado dos dados. Isso inclui modelos de verificação tanto em bases centralizadas (1:N) quanto autenticações diretas (1:1).

Soluções como as da Identy.io incorporam ainda ferramentas como carteiras digitais (ID Wallet) e QR Codes biométricos, que permitem ao produtor compartilhar seus dados de forma controlada e segura.

Segurança em foco diante do avanço das fraudes

O crescimento das fraudes digitais também impulsiona a adoção da biometria. Globalmente, deepfakes já representam cerca de 40% dos casos de roubo de identidade, tornando essencial o uso de tecnologias mais robustas de autenticação.

Nesse contexto, a biometria se consolida como uma camada crítica de proteção, garantindo que o solicitante do crédito seja, de fato, quem afirma ser.

Exigências ambientais reforçam importância da tecnologia

A partir de abril de 2026, uma nova exigência regulatória adiciona mais complexidade ao processo: instituições financeiras passam a ser obrigadas a cruzar dados de satélite sobre desmatamento antes de aprovar financiamentos rurais.

Com isso, a validação da identidade do responsável pelas declarações ambientais torna-se ainda mais crítica. A biometria ajuda a assegurar a integridade dessas informações, reduzindo riscos jurídicos, multas e sanções para os bancos.

Inclusão financeira e conectividade no campo

Além da segurança e eficiência, a biometria contribui para ampliar a inclusão financeira no campo. Tecnologias como prova de vida passiva, processadas diretamente no smartphone do usuário, permitem autenticação mesmo em regiões com conectividade limitada.

Para especialistas do setor, o avanço do crédito rural digital depende diretamente da confiança no sistema. Garantir que os recursos cheguem aos produtores corretos, especialmente em áreas remotas, é um dos principais desafios — e também uma das maiores oportunidades para inovação.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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