Startup americana Savor lança a primeira manteiga do mundo criada a partir de CO₂, hidrogênio e metano, sem ingredientes de origem animal ou vegetal.
Uma revolução alimentar pode estar começando — e ela não vem das fazendas, mas dos laboratórios. A Savor, startup fundada em 2022 nos Estados Unidos, acaba de lançar a primeira manteiga do mundo produzida sem vacas, sem plantas e sem terras agrícolas. Em vez disso, o produto nasce de uma combinação inusitada: carbono, hidrogênio verde e metano, processados em condições controladas de calor e pressão para formar gorduras reais e funcionais.
A inovação atraiu os olhos — e o bolso — de grandes investidores. A empresa é financiada pela Breakthrough Energy Ventures, fundo criado por Bill Gates e apoiado por nomes como Jeff Bezos, Richard Branson e Jack Ma, com o objetivo de acelerar soluções sustentáveis e reduzir emissões globais. E a proposta da Savor é ambiciosa: recriar a gordura — componente essencial da alimentação humana — a partir do zero, sem animais nem agricultura.
Ao contrário de alternativas vegetais ou à base de óleos, a manteiga da Savor não tenta imitar a manteiga tradicional — ela é, quimicamente, uma manteiga real. A tecnologia começa com a captura de gases como CO₂ e CH₄, que passam por um processo de transformação em ácidos graxos, os blocos fundamentais das gorduras. A partir disso, os cientistas conseguem “construir” moléculas de gordura sob medida, ajustando propriedades como ponto de fusão, textura e sabor.
Segundo a CEO e cofundadora Kathleen Alexander afirmou em entrevista divulgada pela Forbes, que a Savor foi criada para ir além da sustentabilidade:
“Soluções verdadeiramente sustentáveis não podem apenas reduzir nosso impacto ambiental, elas precisam ser acessíveis, viáveis e desejáveis.”
Para apresentar a novidade, a Savor promoveu jantares exclusivos em São Francisco e Nova York, com menus elaborados por chefs de restaurantes premiados como SingleThread, Atelier Crenn e ONE65. Foram testadas desde massas folhadas com crocância perfeita até ganaches delicados, tortas amanteigadas e croissants veganos que surpreenderam até os confeiteiros mais exigentes.
O chef Juan Contreras, do Atelier Crenn, foi direto: “A manteiga da Savor chegou a um ponto em que é como trabalhar com manteiga láctea. Temos a obrigação de fazer melhor e trabalhar com quem quer fazer a diferença.”
Na padaria artesanal Jane the Bakery, a empresária Amanda Michael destacou o sabor e desempenho da inovação: “Ela entrega tudo o que esperamos da manteiga tradicional, mas de forma completamente vegana e sustentável.”
Embora a aceitação por chefs renomados seja um marco importante, os planos da Savor vão além da gastronomia. A tecnologia da empresa permite criar gorduras personalizadas, com perfis ajustáveis de ácidos graxos, para atender indústrias diversas, como cosméticos, panificação, confeitaria e alimentos plant-based.
A empresa já conta com:
- Certificação GRAS (segurança alimentar) pelo FDA
- Unidade piloto de 2.300 m² em Illinois
- Centro de P&D expandido em San Jose
Agora, projeta sua primeira instalação comercial com foco em alcançar paridade de custo com manteigas tradicionais de alto valor, como a de leite ou de cacau.
O impacto da tecnologia proposta pela Savor é abrangente. Sua manteiga:
- Evita o uso de terras agrícolas
- Reduz drasticamente a emissão de gases de efeito estufa
- Dispensa o uso de água em larga escala
- Pode substituir o óleo de palma, uma das maiores causas de desmatamento
Para a vice-presidente de comercialização, Chiara Cecchini, a chave do sucesso está na união entre indústria, chefs e ciência: “Trabalhamos com grandes empresas e chefs inovadores porque ambos são essenciais para nossa missão. As emissões não caem sem escala, mas a criatividade nasce dos que ousam desafiar o status quo.”
Com respaldo técnico, sabor aprovado e uma visão clara de futuro, a Savor dá um passo firme rumo à alimentação regenerativa. Seu produto é mais que um substituto — é um convite à reinvenção da cadeia alimentar, sem sacrificar o sabor nem o planeta.
“Estamos oferecendo um novo modelo de como ciência, sustentabilidade e sabor podem se unir para nutrir o planeta”, conclui Kathleen Alexander.
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