Big Bertha: a vaca que bebia uísque viveu 48 anos, teve 39 bezerros e entrou para o Guinness

Big Bertha nasceu na Irlanda, virou símbolo rural, quebrou recordes mundiais de longevidade e prolificidade e ainda ajudou a arrecadar recursos para pesquisas contra o câncer.

Em uma atividade em que produtividade, fertilidade e longevidade são características extremamente valorizadas, poucas histórias chamam tanta atenção quanto a de Big Bertha. Nascida na Irlanda em 1945, a vaca viveu quase meio século, produziu 39 bezerros ao longo da vida e conquistou dois recordes mundiais que permanecem entre os mais impressionantes já registrados na bovinocultura.

Sua trajetória ultrapassou os limites da fazenda onde foi criada. Big Bertha tornou-se celebridade regional, participou de eventos beneficentes, ajudou a arrecadar recursos para pesquisas contra o câncer e ganhou fama internacional por um hábito inusitado: antes de participar de desfiles e eventos públicos, recebia pequenas doses de uísqu para ficar mais tranquila diante das multidões. O detalhe ajudou a transformá-la em lenda, mas foram seus números extraordinários que garantiram seu lugar na história.

Big Bertha nasceu em 17 de março de 1945, no Dia de São Patrício, uma das datas mais importantes da Irlanda. Criada pelo produtor Jerome O’Leary, no condado de Kerry, ela viveu até 31 de dezembro de 1993, falecendo apenas três meses antes de completar 49 anos.

Para efeito de comparação, a maioria das vacas comerciais permanece nos sistemas produtivos por uma fração desse período. Em propriedades de leite ou corte, fatores como fertilidade, produtividade, sanidade e eficiência econômica normalmente determinam o descarte muito antes que o animal alcance idade avançada.

Por isso, quando Big Bertha atingiu os 40 anos, já era considerada uma raridade. Quando ultrapassou os 48 anos, tornou-se oficialmente a vaca mais velha já registrada pelo Guinness World Records.

Foto: Don MacMonagle

O que torna a história ainda mais impressionante é que Big Bertha não apenas viveu muito. Ela também manteve sua capacidade reprodutiva por décadas.

Ao longo da vida, produziu 39 bezerros, marca que lhe garantiu um segundo recorde mundial relacionado à prolificidade. Em 1986, quando completou sua 39ª gestação, a façanha ganhou repercussão internacional e virou notícia em diversos veículos de comunicação.

Na prática, isso significa que a vaca conseguiu reunir duas características extremamente difíceis de encontrar simultaneamente: longevidade e fertilidade.

Na pecuária moderna, essas duas qualidades continuam sendo alguns dos principais objetivos dos programas de melhoramento genético. Uma matriz que permanece produtiva por mais tempo reduz custos de reposição, aumenta a eficiência do rebanho e melhora a rentabilidade da atividade.

A história que mais contribuiu para a fama de Big Bertha foi seu suposto gosto pelo uísque.

Segundo relatos preservados na região de Kerry, seu proprietário costumava oferecer pequenas doses da bebida antes de desfiles e eventos públicos. O objetivo seria acalmar a vaca diante do barulho das multidões durante as celebrações do Dia de São Patrício e outras festividades locais.

Com o tempo, a história se espalhou pelo mundo e ajudou a construir a imagem folclórica da vaca irlandesa.

Embora o detalhe seja curioso, moradores da região costumam destacar que o verdadeiro motivo da fama de Big Bertha sempre foram seus recordes e sua ligação com a comunidade rural.

Foto: Divulgação

A notoriedade alcançada pela vaca acabou sendo utilizada para uma causa nobre.

Big Bertha passou a participar regularmente de feiras agropecuárias, eventos comunitários e campanhas beneficentes. Sua presença atraía visitantes, ajudava a promover arrecadações e mobilizava doações para instituições de caridade.

Estimativas apontam que ela contribuiu para levantar cerca de US$ 75 mil destinados a pesquisas sobre o câncer e outras causas beneficentes, valor bastante expressivo para a época.

Na cidade de Sneem, tornou-se tradição que a vaca liderasse os desfiles de São Patrício, transformando-se em um dos símbolos locais mais conhecidos.

Embora seja impossível tratar o caso como padrão produtivo, especialistas costumam destacar que histórias como essa ajudam a reforçar a importância de características funcionais dentro dos rebanhos.

Durante décadas, a seleção genética global concentrou esforços principalmente em produtividade. Nos últimos anos, porém, atributos como fertilidade, longevidade, resistência a doenças e adaptação ao ambiente ganharam protagonismo.

No Brasil, onde a pecuária trabalha em diferentes sistemas e condições climáticas, matrizes capazes de permanecer produtivas por muitos anos representam uma vantagem estratégica importante.

Animais longevos significam menor necessidade de reposição, redução de custos e maior aproveitamento dos investimentos realizados em genética e manejo.

Sob esse aspecto, Big Bertha se tornou um símbolo de algo que continua extremamente atual: a busca por vacas mais eficientes ao longo de toda a vida produtiva, e não apenas em uma ou duas safras reprodutivas.

Foto: Don MacMonagle

Quando morreu, na virada de 1993 para 1994, Big Bertha já era considerada patrimônio local em Kerry. Sua despedida foi tão incomum quanto sua vida: moradores realizaram uma espécie de velório em um pub da região, celebrando a trajetória da vaca que havia se tornado uma celebridade.

Décadas depois, sua história continua circulando nas redes sociais, documentários, livros e publicações sobre curiosidades do mundo rural.

Mas o legado de Big Bertha vai muito além do folclore.

Ela permanece como um dos exemplos mais extraordinários já registrados de longevidade bovina, fertilidade excepcional e conexão entre a pecuária e a sociedade. Em uma época em que o setor busca produzir mais com eficiência, sustentabilidade e bem-estar animal, sua trajetória segue despertando admiração entre produtores, pesquisadores e apaixonados pelo campo.

Poucas vacas deixaram uma marca tão duradoura. E talvez nenhuma tenha conseguido fazer isso vivendo quase 49 anos, criando 39 bezerros e ainda entrando para a história mundial com um copo de uísque como parte da lenda.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM