Para o analista Maurício Palma Nogueira, se o setor de proteínas não exportar o excedente neste ano, prejuízo impactará a oferta nos próximos anos.
Somando as três carnes (bovina, suína e frango), em 2020 o Brasil irá produzir 38% a mais do que será consumido. Essa produção já está contratada com as operações em andamento nas fazendas. Vai ser produzido.
Portanto, não há risco de desabastecimento de proteínas. Não há necessidade de estocar carnes em casa. Essa ação só irá dificultar a reposição das gôndolas com o inevitável impacto nos preços. O risco de desabastecimento existe para os anos seguintes. Se o setor de proteínas não exportar o excedente produzido em 2020, o prejuízo impactará a oferta nos próximos anos.
Por isso é fundamental que medidas governamentais não dificultem as operações de logística e exportação das mercadorias. São setores essenciais. A vantagem de um agronegócio forte em um país é a garantia da segurança alimentar. O Brasil é o maior fornecedor de proteínas do mundo.
As projeções pré Covid-19 indicavam aumento de 1,28 milhão de toneladas de carnes (bovina e bubalina, suína e aves) na comercialização de 2020, em relação à 2019. Do lado das importações, China e Hong Kong representariam 40% do aumento no comércio. Do lado das exportações, o Brasil sozinho representaria 46% do aumento total nas vendas.
É fato que o PIB mundial irá despencar com a pandemia. No entanto, as projeções para redução do consumo de carne já eram prevista pela queda na oferta de carne suína, principalmente.
A queda no consumo projetado para 2020 supera as projeções mais pessimistas em relação ao PIB. O gargalo logístico no fluxo de produtos é o fator mais preocupante para o desempenho das exportações.
Na figura, apresentamos o balanço do comércio global de proteínas de origem animal.

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Fonte: Maurício Palma Nogueira