Você está destruindo suas matrizes? O erro comum na primeira monta que custa muito caro

Além do peso na balança, a negligência com a pelvimetria e a programação fetal gera o descarte invisível de fêmeas, transformando o erro na primeira monta no maior ralo de lucratividade da pecuária de cria moderna

O lucro de uma fazenda de cria não nasce no nascimento do bezerro, mas na longevidade da vaca que o carrega. No entanto, uma negligência silenciosa tem dizimado a rentabilidade do setor: o erro na primeira monta. Muitos produtores, seduzidos pela ideia de “ganhar tempo”, expõem novilhas ao touro ou à IATF baseando-se apenas na idade cronológica, ignorando que a maturidade fisiológica é o único indicador que realmente importa.

O resultado é um prejuízo invisível que começa no parto difícil e termina no descarte precoce de uma fêmea que sequer pagou seu custo de recria.

O abismo da “Vaca de Segunda Cria”: Por que o erro na primeira monta é fatal?

O maior gargalo reprodutivo do Brasil hoje atende pelo nome de falha na reconcepção das primíparas. Quando o pecuarista comete o erro na primeira monta ao desafiar um animal com baixo escore corporal, ele cria uma “vaca-fantasma”. Essa fêmea até emprenha na primeira tentativa por uma questão de sobrevivência da espécie, mas seu organismo prioriza o próprio crescimento em detrimento da produção de leite e do retorno ao cio.

Dados da University of Nebraska-Lincoln (UNL) revelam que o custo de reposição de uma matriz só é amortizado após o desmame do seu terceiro ou quarto bezerro. Se você comete o erro na primeira monta e essa vaca falha na segunda estação, você perdeu dinheiro em toda a operação de recria. A ciência americana chama isso de Sustainability of the Beef Cow, onde a fêmea precisa ser “programada” desde o ventre para suportar a pressão produtiva.

O que há de novo fora do senso comum

Para evitar o erro na primeira monta, a pecuária de elite está olhando para dois conceitos que vão além do simples “dar ração”:

  1. Programação Fetal: Pesquisas da Oregon State University e da Embrapa Pantanal mostram que a nutrição da novilha durante a primeira gestação altera a qualidade dos oócitos da bezerra que ela carrega. Ou seja, um manejo nutricional falho na primeira monta prejudica a fertilidade da neta daquela vaca. O erro de hoje reverbera por três gerações.
  2. Pelvimetria Clínica: Enquanto no Brasil foca-se muito em peso, nos EUA a medição da área pélvica antes da inseminação é padrão. Um dos aspectos do erro na primeira monta é ignorar que uma novilha pesada pode ter um canal de parto estreito (disproporção feto-pélvica). Isso causa distocia, morte de bezerros e danos permanentes ao útero da matriz.

A novilha deve atingir 85% do seu peso adulto esperado ao parir, e não apenas 60% ao conceber. Ignorar essa margem de segurança é o erro na primeira monta que mais custa caro ao bolso do produtor.

O impacto financeiro: A conta que o produtor não faz

Se uma novilha falha em reconceber, o impacto no custo fixo por bezerro desmamado sobe drasticamente. Estudo da consultoria Terra Desenvolvimento Agropecuário aponta que propriedades que corrigem o erro na primeira monta e elevam a taxa de reconcepção de primíparas de 50% para 80%, aumentam o lucro líquido da operação de cria em até 22% ao ano.

O sucesso na pecuária de cria não é sobre quanto o animal come, mas sobre como ele converte esse alimento em estabilidade reprodutiva. Tratar novilhas como “vacas pequenas” é o caminho mais curto para a insolvência.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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