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Injeção de qualidade: aplicação de vitamina A em bovinos aumenta marmoreio da carne e traz benefícios para o produtor que trabalha por qualidade!
Um estudo feito por um pesquisador norte-americano, o professor Min Du, da Washington State Universtiy (WSU), inspirou especialistas brasileiros na busca por alternativas para melhorar a qualidade de carne pela aplicação de vitamina A em bovinos.
Nesta terça, 06, o mestre em zootecnia e doutor em ciência animal Mário Ladeira, professor da Universidade de Lavras-MG, coordenador desta pesquisa, falou sobre a iniciativa, que está sendo realizada com parceria entre a UFLA, Unesp de Botucatu, UFV e a própria WSU.
Nos Estados Unidos, a pesquisa foi feita com injeção de duas doses de vitamina A (aos 30 e 60 dias) em animais da raça Angus.
Já no Brasil, os professores fizeram aplicação de dose única (300.000 UI/cabeça) ao nascimento em animais meio-sangue Montana x Nelore para analisar o aumento da gordura intramuscular. Segundo Ladeira, o custo estimado da dose é menos de R$ 10,00 por animal.
Após confinamento de 180 dias e abate de machos com idade média entre 14 a 15 meses, os pesquisadores descobriram que os indivíduos que receberam a dose de vitamina A tiveram 30% a mais de deposição de gordura intramuscular quando comparados aos seus contemporâneos que não receberam a dose.
Em fêmeas, a alteração também fez efeito: 18% a mais de gordura intramuscular na comparação com as testemunhas.
“É uma explicação bem metabólica. O que ocorre é que nesse início da vida do animal ele está fazendo o que chamamos de recrutamento de células. Existem células progenitoras e elas vão virar células de tecido adiposo, de gordura. E quando você dá esta vitamina A, você muda a estrutura do DNA do animal, ativando os genes responsáveis por recrutar estas células que teriam potencial de virar tecido adiposo”, detalhou doutor em ciência animal.
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Ladeira revelou em entrevista que entre os próximos passos do projeto está entender se a aplicação impacta também no marmoreio da carne mesmo em animais que sejam terminados em um sistema menos intensivo, como recria e confinamento de 90 dias tradicionais.
Outro ponto a ser analisado junto à empresa de nutrição parceira do projeto, a Trouw Nutrition, é a possibilidade de oferecer a vitamina ao animal de uma forma alternativa à injeção, formulando uma dieta com alta dose da vitamina A por um período prolongado, o que facilitaria o manejo do produtor.