Prejuízo no campo: Falhas no fornecimento de energia causam a morte de 20 mil aves no Paraná. Entenda os impactos econômicos e os riscos para o agronegócio.
Recentemente, a avicultora Sandra Bogo, de São Miguel do Iguaçu (PR), registrou a perda catastrófica de 20 mil frangos em sua propriedade. O motivo? As constantes falhas no fornecimento de energia que impediram o funcionamento dos sistemas de climatização, essenciais para a sobrevivência dos animais em ambientes de alta tecnologia.
O episódio ocorreu de forma dramática: mesmo com o acionamento imediato de geradores, a oscilação severa na rede elétrica danificou os componentes de proteção do sistema. Sem a exaustão necessária, as aves morreram por estresse térmico em questão de minutos. O caso, porém, não é isolado e reflete um gargalo estrutural que atinge produtores de diversas cadeias em todo o estado.
Falhas no fornecimento de energia: Um problema que se tornou sistêmico
Para o presidente do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ágide Eduardo Meneguette, o cenário atual ultrapassou o limite do aceitável. Em declaração ao programa Mercado & Cia, o dirigente destacou que as quedas de luz deixaram de ser eventos esporádicos.
“A energia elétrica é um insumo básico para a produção moderna. O que antes eram problemas pontuais, hoje são recorrentes e trazem prejuízos gigantescos não apenas ao produtor, mas a toda a sociedade paranaense”, pontuou Meneguette. Segundo o líder setorial, os danos incluem desde a morte de animais até a queima de equipamentos sensíveis e perdas totais em colheitas que dependem de processamento imediato.
Do tabaco à piscicultura
A instabilidade elétrica não escolhe setor. Além da avicultura, a piscicultura no Oeste do Paraná — polo nacional de produção de tilápia — também reporta perdas frequentes. Na agricultura, o prejuízo é igualmente severo:
- Fumicultura: Um pequeno produtor de fumo registrou perda de R$ 250 mil após a energia ser interrompida durante a secagem das folhas.
- Custo Operacional: Para evitar o colapso, produtores estão sendo obrigados a manter geradores a diesel ligados por longos períodos, elevando drasticamente o custo de produção.
Ineficiência técnica e os desafios pós-privatização
A análise técnica da Faep indica que o problema pode ser estrutural. Embora o estado receba investimentos em transmissão, a energia falha ao chegar na “ponta”, dentro das fazendas. A falta de manutenção preventiva, como a poda de árvores próximas à fiação em Áreas de Preservação Permanente (APPs), é um dos principais fatores de interrupção.
Desde a privatização da Copel, em 2023, o setor produtivo reclama de uma queda na qualidade do atendimento. Há relatos de produtores que aguardam até três dias para a chegada de uma equipe técnica. “Infelizmente, houve piora no atendimento e na reposição de pessoal experiente”, reforçou Meneguette. O resultado é um efeito cascata que deve chegar ao bolso do cidadão comum, uma vez que o produtor não consegue absorver sozinho a alta dos custos gerada pela ineficiência energética.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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