Vaca parindo na lactação? Como manejar corretamente vacas que dão à luz no meio da lactação

Especialistas da Embrapa e de universidades internacionais detalham os protocolos necessários para vacas parindo na lactação, focando em dieta aniônica e saúde metabólica

O cenário parece atípico, mas tem se tornado um ponto de atenção em rebanhos leiteiros de alta performance: o fenômeno de vacas parindo na lactação. Seja por uma falha no manejo reprodutivo (falta de confirmação de data de parto) ou por uma estratégia deliberada de redução do período seco, o nascimento de um bezerro enquanto a fêmea ainda produz leite exige protocolos específicos. O desafio central é equilibrar a persistência da lactação atual com as demandas nutricionais extremas do pré-parto imediato.

Historicamente, o “período seco” de 60 dias era considerado sagrado para a regeneração do tecido mamário. No entanto, estudos da University of Florida indicam que vacas com alta persistência de lactação podem, sob manejo rigoroso, ter esse intervalo reduzido ou até suprimido sem comprometer a longevidade, desde que o aporte nutricional de transição seja cirúrgico.

O desafio do manejo de vacas parindo na lactação

Quando nos deparamos com vacas parindo na lactação, a primeira preocupação deve ser o balanço energético negativo. Uma vaca que não foi “seca” continua drenando nutrientes para o úbere enquanto o feto exige o máximo de crescimento no terço final. De acordo com dados da Embrapa Gado de Leite, o erro mais comum é manter a dieta de lactação padrão, que muitas vezes não supre a demanda mineral específica para prevenir a hipocalcemia (febre do leite).

Para manejar vacas parindo na lactação com sucesso, é necessário identificar o animal pelo menos 21 dias antes da data prevista do parto (se houver controle) e introduzir a dieta aniônica. Essa estratégia acidifica o sangue da vaca, estimulando a mobilização de cálcio dos ossos, o que é vital no momento da expulsão do feto e na descida do novo leite.

Impacto na qualidade do colostro e saúde do bezerro

Um dos pontos mais críticos em vacas parindo na lactação é a qualidade do colostro. Como o úbere não passou pela fase de involução e renovação celular, a concentração de imunoglobulinas (IgG) pode ser diluída pelo leite que já estava sendo produzido. Pesquisas publicadas no Journal of Dairy Science revelam que vacas sem período seco podem apresentar uma redução de até 25% na concentração de anticorpos no colostro.

Nesses casos, a recomendação técnica é:

  1. Testar o colostro: Use um refratômetro de Brix para garantir que a qualidade é superior a 22%.
  2. Banco de colostro: Tenha sempre colostro congelado de vacas que tiveram período seco regular para suplementar o bezerro, se necessário.
  3. Ordenha imediata: A primeira ordenha após o parto deve ser total para estimular o novo ciclo hormonal de produção.

Estratégias nutricionais para vacas parindo na lactação

O ajuste da dieta é o que determina se a vaca terá uma cetose clínica ou se continuará produzindo bem. Ao manejar vacas parindo na lactação, o produtor deve focar em carboidratos de fermentação lenta e monitorar o escore de condição corporal (ECC). Animais que parem em lactação tendem a perder peso mais rápido, pois não tiveram o “descanso” para recompor reservas de gordura.

Especialistas da Wageningen University sugerem que omitir o período seco pode reduzir a incidência de doenças metabólicas no pós-parto, pois a vaca não passa pela mudança drástica de “parar de produzir e voltar a produzir”. Contudo, isso só funciona se a densidade nutricional for alta o suficiente para sustentar as duas frentes produtivas.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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