Com saltos expressivos nas importações e investimentos em biotecnologia, o país consolida o cultivo de iguarias de alto valor agregado que rivalizam com o mercado europeu.
A colheita de um exemplar de 213 gramas em Encruzilhada do Sul (RS) não foi apenas um evento isolado, mas o marco de uma nova era para as trufas no Brasil. O que antes era restrito ao extrativismo casual em solos europeus, agora se consolida como uma promissora vertente do agronegócio nacional. A peça, encontrada na propriedade da família Zaffari, sinaliza que o país possui as condições ideais para cultivar o chamado “diamante negro” da gastronomia, unindo biotecnologia de ponta e alto valor agregado.
O achado histórico, que contou com a curadoria do biólogo e doutor Marcelo Sulzbacher, foi rapidamente direcionado ao mercado de alta gastronomia, chegando às mãos do renomado Chef Ivan Ralston, do Tuju. De acordo com a Forbes Brasil, esse tipo de descoberta coloca o país em um patamar de destaque na tartuficultura internacional, atraindo o olhar de investidores que buscam diversificação em nichos de luxo.
A ascensão técnica das trufas no Brasil e a simbiose com a nogueira-pecã
Diferente da produção de cogumelos convencionais, as trufas no Brasil se desenvolvem de forma subterrânea em uma relação de simbiose com as raízes de árvores hospedeiras. No sul do país, esse fenômeno tem ocorrido de forma orgânica em pomares de nogueira-pecã.
O empresário Jodimar Zaffari, cuja família lidera essa nova fronteira, destaca que o fungo surge como um selo de qualidade ambiental do solo, embora a produção de nozes ainda seja o pilar principal da propriedade, com metas de 300 toneladas para os próximos ciclos.
O mercado brasileiro está em franca expansão. Segundo dados da plataforma AgroStat (Mapa/Secex), o volume de importações saltou de 133 kg em 2022 para 697 kg em 2024, movimentando cerca de R$ 1,4 milhão. Esse aumento na demanda interna justifica a profissionalização do setor, que agora conta com mudas inoculadas em laboratório para garantir a produção controlada do fungo.
Rentabilidade e desafios do cultivo de trufas no Brasil
A implementação de um “pomar trufado” exige um planejamento estratégico rigoroso. Segundo Sulzbacher, o investimento inicial gira em torno de R$ 60 mil por hectare, com mudas que recebem tratamento biotecnológico para evitar contaminações.
A paciência é uma virtude necessária ao investidor, já que o retorno financeiro acompanha o ciclo de crescimento das árvores hospedeiras.
Atualmente, quatro variedades já foram identificadas em solo nacional, com destaque para:
- Trufa Sapucay (Tuber floridanum): Aroma de melaço e castanhas;
- Trufa Rubi: Alta valorização comercial;
- Trufa Bianchetto: Espécie de origem italiana com adaptação confirmada na Serra da Mantiqueira.
Com o valor do grama atingindo a casa dos R$ 8,00 no mercado interno, as trufas no Brasil deixam de ser uma curiosidade botânica para se tornarem um ativo financeiro estratégico.
A capacidade do Hemisfério Sul de ofertar o produto fresco durante a entressafra europeia é o grande diferencial competitivo que pode colocar o país no radar dos maiores exportadores globais, superando as barreiras climáticas e consolidando a tartuficultura tropicalizada.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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