Saiba como o uso do Black Simental no Tricross une o choque de sangue continental à demanda por carcaças pesadas e padronizadas, entregando mais arrobas no gancho e liquidez imediata no curral
O pecuarista brasileiro, pressionado por margens cada vez mais estreitas, abandonou o empirismo. A busca pela “carcaça premium” levou à explosão do cruzamento entre o Nelore e o Angus, mas o mercado agora faz uma pergunta técnica: o que vem depois da F1?
A utilização do Black Simental no Tricross surge como a resposta estratégica para quem busca choque de sangue continental sem perder a padronização de pelagem exigida pelos programas de carne.
A matemática da heterose e o ganho de carcaça
Diferente das raças britânicas (Angus e Hereford), o Simental é uma raça continental. Isso significa que, ao cruzar um touro Black Simental no Tricross com uma matriz F1 (Angus x Nelore), o produtor atinge o ápice da heterose. Como as três raças têm origens genéticas distintas, o vigor híbrido é explorado em sua totalidade.
Dados da American Simmental Association (ASA) indicam que a linhagem Black foi selecionada para mitigar o principal “defeito” do Simental tradicional no Brasil: o porte excessivo (frame) e a demora no acabamento de gordura. O Black Simental no Tricross entrega animais com Área de Olho de Lombo (AOL) superior em até 12% em comparação a cruzamentos puramente britânicos, resultando em mais quilos de carne líquida no gancho.
O Black Simental no Tricross no confinamento
Em termos de desempenho no cocho, o Black Simental no Tricross apresenta números robustos. Enquanto um animal F1 convencional estabiliza seu ganho de peso após certa idade, o componente continental do Simental mantém a curva de crescimento ascendente por mais tempo.
- Eficiência Alimentar: Estudos em centros de performance nos EUA mostram que linhagens modernas de Black Simmental possuem uma conversão alimentar 7% mais eficiente que a média dos taurinos.
- Peso ao Desmame: No Brasil, bezerros oriundos de Black Simental no Tricross chegam a desmamar com 15 a 20 kg a mais que seus contemporâneos, fruto da habilidade materna latente da raça, mesmo em sistemas terminais.
- Acabamento de Gordura: O grande temor — a falta de gordura — caiu por terra. O mapeamento genômico das linhagens atuais foca em gordura intramuscular (marmorreio) e cobertura mínima de 3mm a 5mm, atendendo às exigências das plantas frigoríficas de exportação.
Pelagem e liquidez
Não se pode ignorar o componente comercial. A “onda preta” no Brasil dita o preço do bezerro. O uso do Black Simental no Tricross resolve o dilema do produtor que precisa de musculosidade (Continental), mas não quer o “bezerro pintado” que sofre deságio no mercado de reposição. O resultado é um animal robusto, com cara de Angus, mas com a carcaça de um Simental.
É eficiência genética comprovada pelo bolso. O custo do sêmen ou do touro é diluído pela rapidez com que o animal atinge as 18 arrobas. Não é moda; é o ajuste fino da engrenagem produtiva para quem já domina a IATF e a nutrição de precisão.
VEJA MAIS:
- Gerente de fazenda é assassinado após briga por sal de gado
- Não é apenas ‘ferida’: O que a pele das suas vacas diz sobre a saúde do seu rebanho
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.