Sob a influência da transição climática e a iminente chegada do El Niño, o outono de 2026 exige atenção estratégica no campo; entenda os impactos nas temperaturas e na umidade do solo para as principais culturas do país
O início do outono no Hemisfério Sul, marcado para as 11h45 desta sexta-feira (20/3), traz consigo um desafio extra para o produtor rural brasileiro. Diferente de anos anteriores, a atual transição climática é definida por uma instabilidade profunda nos modelos meteorológicos, causada pela despedida oficial do fenômeno La Niña e a rápida ascensão do El Niño, que deve ganhar força total no segundo semestre de 2026.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o período que agora se inicia marca a passagem estratégica entre o ciclo chuvoso e o seco. Embora a redução das precipitações seja o padrão da estação, o cenário de “dupla incerteza” — citado pelo meteorologista Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK — exige atenção redobrada. O Oceano Pacífico atravessa uma fase de mudança térmica que sobrepõe a troca de estações à troca de fenômenos oceânicos, dificultando uma previsão linear para os próximos meses.
Divergências nos modelos e a transição climática
A complexidade desta transição climática reflete-se na falta de consenso entre as principais instituições meteorológicas globais. Enquanto a Universidade de Columbia sinaliza um padrão ainda influenciado pelo La Niña (seca no Sul e chuvas ao Norte), o modelo europeu ECMWF projeta um cenário híbrido, com umidade presente em ambas as extremidades do país.
Com 62% de probabilidade de o El Niño se consolidar entre junho e agosto, a expectativa é de que o outono não apresente quedas bruscas de temperatura imediatas. Pelo contrário: “veranicos” e ondas de calor — com temperaturas até 5°C acima da média por mais de cinco dias — não estão descartados em abril e maio, conforme aponta a consultoria FieldPRO.
O que esperar de cada cinturão produtivo
A configuração atmosférica atual desenha um mapa de contrastes para o território nacional:
- Sul: O Rio Grande do Sul e o oeste paranaense devem enfrentar volumes de chuva abaixo da média. O sistema de Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) atuará como um bloqueio, mantendo as temperaturas até 2°C acima do padrão histórico.
- Sudeste e Centro-Oeste: O calor deve ser persistente no interior mineiro e goiano. Contudo, a passagem de frentes frias pelo litoral pode gerar picos de umidade pontuais, alternando dias de sol forte com chuvas isoladas.
- Norte e Nordeste: O “inverno amazônico” mantém a umidade alta no Norte, enquanto no Nordeste a safra de cana-de-açúcar aguarda a definição da Zona de Convergência Intertropical para garantir volumes próximos à média.
Umidade do solo favorece o milho na transição climática
Apesar da redução generalizada das chuvas típica do outono, o setor produtivo inicia a estação com um “seguro natural”. Segundo Desirée Brandt, da Nottus, as chuvas expressivas registradas no final do verão garantiram excelentes níveis de umidade no solo.
Essa reserva hídrica é o fator determinante para o sucesso do milho segunda safra. No Paraná e no Centro-Oeste, o desenvolvimento das lavouras está protegido no curto prazo, mesmo que a transição climática traga períodos de veranico. No Nordeste, a expectativa é positiva para a cana-de-açúcar, com precipitações que devem se estabelecer de forma regular ao longo do trimestre.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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