Tereza Cristina classifica a oferta de fertilizantes como tema de segurança nacional

Ex-ministra alerta para vulnerabilidade do agronegócio diante do conflito no Irã, critica atrasos no Plano Nacional e defende soberania na oferta de fertilizantes para o país

Com os recentes desdobramentos do conflito envolvendo o Irã, a oferta de fertilizantes no mercado internacional sofreu novos impactos de preço, acendendo o alerta para a vulnerabilidade produtiva do país.

O tema dominou as discussões em eventos do setor nesta semana, reforçando a urgência de uma autonomia estratégica para o maior exportador de alimentos do mundo.

A vulnerabilidade brasileira e a oferta de fertilizantes

Durante um encontro com a imprensa em São Paulo, realizado na última segunda-feira (23), a senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP-MS), foi enfática ao definir a gravidade do cenário atual. Para a parlamentar, a manutenção da oferta de fertilizantes deixou de ser apenas um desafio logístico para se tornar uma prioridade de Estado.

“É um problema de segurança nacional”, declarou a senadora. Segundo sua análise, o Brasil carece de um planejamento de longo prazo que minimize a dependência externa. Cristina criticou a execução parcial do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), afirmando que a falta de uma implementação completa demonstra uma “falha de visão estratégica” por parte do país.

O gargalo de Autazes e a produção de potássio

Um dos exemplos citados para ilustrar a dificuldade em garantir a oferta de fertilizantes nacional é o projeto de Autazes, no Amazonas. Mesmo com um aporte previsto de US$ 2,5 bilhões e capacidade para produzir 2,2 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano, a iniciativa enfrenta entraves jurídicos constantes, apesar de já possuir licenças ambientais.

Além da pressão sobre os insumos, o conflito no Irã reverbera no setor energético. O aumento do preço do petróleo impacta diretamente o diesel, gerando receios sobre o abastecimento em diversas regiões do Brasil. Como solução, a senadora defende o fortalecimento dos biocombustíveis. Atualmente em 15%, a mistura de biodiesel no diesel deveria ser ampliada para que o país possa “virar a chave” e utilizar sua própria matriz energética em momentos de crise global.

Perspectiva econômica para a oferta de fertilizantes até 2027

Apesar do tom de alerta da ex-ministra, o economista Felipe Serigatti, da Fundação Getulio Vargas (FGV), apresenta uma visão ponderada. Durante palestra na feira Fruit Attraction São Paulo, ele destacou que, embora a disponibilidade de diesel seja uma preocupação real, o Brasil não é o país mais exposto aos efeitos imediatos da guerra.

Contudo, Serigatti ressaltou que, por se tratar de um ano eleitoral, as consequências econômicas da atual crise global devem se tornar mais evidentes para o produtor brasileiro apenas em 2027. Mesmo com a expectativa de uma safra recorde de grãos, o economista alerta que as margens de lucro continuarão pressionadas devido à incerteza global e à acomodação dos preços das commodities.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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