Tecnologia inédita mede maciez da carne em 12 segundos; SpecFIT-Meat revoluciona o setor

Equipamento desenvolvido com apoio da Embrapa permite análise e mede maciez da carne de forma não destrutiva, reduz custos e pode transformar a forma como frigoríficos e consumidores avaliam a carne

A busca por mais eficiência, padronização e transparência na cadeia da carne bovina acaba de ganhar um novo aliado tecnológico. Um equipamento inovador, capaz de medir a maciez da carne em apenas 12 segundos — sem necessidade de cortar ou destruir a amostra — surge como uma solução promissora para frigoríficos, varejo e até consumidores finais.

A tecnologia, chamada SpecFIT-Meat, foi desenvolvida pela startup Fine Instrument Technology (FIT) em parceria com a Embrapa Instrumentação e será apresentada durante a Anuga Select Brazil, em São Paulo. O equipamento utiliza ressonância magnética nuclear (RMN) para avaliar a qualidade da carne de forma não invasiva, trazendo ganhos relevantes em produtividade e precisão.

Como funciona a nova tecnologia que mede a maciez da carne bovina

Diferente dos métodos tradicionais — que exigem cozimento e destruição da amostra para análise — o novo sistema permite avaliar peças inteiras, inclusive já embaladas a vácuo, sem qualquer dano ao produto.

Isso representa uma mudança significativa para a indústria, já que elimina:

  • Desperdício de matéria-prima
  • Risco de contaminação
  • Geração de resíduos

Além disso, o tempo de análise é drasticamente reduzido. Enquanto métodos convencionais podem levar horas ou dias, o novo equipamento entrega resultados em segundos .

Impacto direto na indústria frigorífica

Um dos pontos mais relevantes da inovação está na otimização do processo de maturação da carne, etapa fundamental para garantir maciez e qualidade.

Hoje, carnes podem permanecer até 28 dias em câmaras frias para atingir o ponto ideal. Com a nova tecnologia, será possível monitorar, em tempo real, as reações enzimáticas responsáveis pela quebra das proteínas — fator diretamente ligado à maciez.

Na prática, isso permite:

  • Reduzir o tempo de maturação
  • Diminuir custos operacionais
  • Ajustar o processo conforme raça, idade e tipo de corte

Esse nível de controle pode elevar o padrão da carne brasileira, especialmente em um cenário de crescente exigência dos mercados internacionais.

Outro ponto estratégico destacado pelos desenvolvedores é o impacto sobre a percepção da carne zebuína. Tradicionalmente associada a cortes mais duros, essa categoria pode passar por uma revalorização baseada em dados técnicos.

Com a tecnologia, será possível identificar e certificar cortes macios provenientes de animais zebuínos, ajudando a quebrar preconceitos históricos e ampliar o valor agregado desses produtos no mercado .

Mais transparência para o consumidor final

A inovação também pode chegar diretamente ao consumidor. A expectativa é que, em breve, cortes de carne possam ser vendidos com informações precisas sobre o nível de maciez, semelhante ao que já ocorre com marmoreio e classificação de qualidade em mercados mais desenvolvidos.

Segundo os desenvolvedores, isso representa uma nova fase no varejo:

  • Maior confiança na compra
  • Padronização da experiência de consumo
  • Diferenciação para carnes premium

Esse avanço atende a uma tendência global de rastreabilidade e transparência, especialmente diante das exigências de mercados internacionais e regulamentações como a EUDR.

Vale destacar que essa não é a primeira inovação da parceria entre a FIT e a Embrapa Instrumentação. Em 2022, já havia sido lançado um equipamento capaz de medir teores de óleo e proteína na soja sem destruição da amostra, mostrando o potencial da tecnologia para diferentes cadeias do agronegócio .

A introdução de tecnologias como o SpecFIT-Meat reforça um movimento cada vez mais evidente: o agro brasileiro está migrando para uma fase de inteligência de dados aplicada à qualidade do produto.

Mais do que produzir volume, o setor passa a focar em:

  • Padronização
  • Eficiência industrial
  • Atendimento a mercados premium
  • Agregação de valor

Para o Brasil, líder global na exportação de carne bovina, isso pode representar ganhos estratégicos de competitividade, especialmente diante da pressão por sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade.

A possibilidade de medir a maciez da carne em segundos, sem perdas e com precisão científica, não é apenas uma inovação tecnológica — é um divisor de águas para toda a cadeia produtiva.

Ao unir ciência, eficiência e transparência, o novo equipamento pode redefinir padrões de qualidade no setor e abrir caminho para uma nova geração de carne brasileira, mais valorizada, rastreável e competitiva no mercado global.

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