Digitalização do abastecimento de combustível avança nas fazendas e ajuda produtores a reduzir desperdícios, ganhar controle e proteger a margem em um cenário de custos elevados; Essa é a era do “gestão eficiente de insumos” no campo
No campo, tempo é dinheiro — e combustível também. Cada hora de máquina parada representa perda direta de produtividade, atraso em operações críticas e impacto no resultado da safra. Para evitar gargalos, muitas propriedades rurais operam com tanques próprios ou comboios de abastecimento, garantindo agilidade para tratores, colheitadeiras e pulverizadores.
O desafio é que, em boa parte das fazendas brasileiras, o controle desse abastecimento ainda depende de anotações manuais, planilhas em papel e retrabalho no escritório. Esse modelo, além de pouco confiável, dificulta o rastreamento do consumo real, reduz a visibilidade sobre os custos e abre espaço para desperdícios — um problema ainda mais sensível em operações menores, pulverizadas e distantes dos grandes centros, onde a margem já vem sendo pressionada pelo alto custo do diesel e pela redução da rentabilidade nos últimos anos.
Esse cenário, no entanto, começa a mudar. Sistemas de gestão digital e automação do abastecimento, já consolidados em setores como mineração e logística, passam agora a ser acessíveis também a produtores rurais de pequeno e médio porte, trazendo ganhos imediatos de controle, eficiência e previsibilidade.
Tecnologia sem grandes investimentos: mito que começa a cair
Associar tecnologia a altos investimentos é um erro comum. Segundo Nelson Margarido, diretor de Operações da Korth, a maior parte das tecnologias segue um caminho natural de queda de custo ao longo do tempo, à medida que se tornam mais difundidas e passam a ser produzidas em escala.
O executivo compara esse movimento à evolução da injeção eletrônica nos veículos, que começou restrita a modelos caros e, com o avanço tecnológico, tornou-se padrão até em motocicletas. No agro, ocorre o mesmo: hoje já existem soluções de controle e automação que não exigem grandes aportes iniciais e podem ser implantadas de forma gradual.
O ponto crítico, segundo Margarido, não está apenas no preço da tecnologia, mas no chamado “custo invisível”: treinamento, engajamento das equipes e mudança de processos. Sem isso, mesmo ferramentas acessíveis tendem a falhar.
“Poucos indicadores bem medidos geram a maior parte dos resultados. Medir menos, porém medir bem, é mais eficiente do que acumular dados frágeis“, apontou.

Abastecimento: um dos pontos mais sensíveis — e perigosos — do custo
Em um setor onde o produtor tem pouco controle sobre o preço de venda de sua produção, a rentabilidade depende quase exclusivamente da gestão eficiente dos custos. E, nesse contexto, o abastecimento ocupa posição de destaque.
O diesel costuma figurar entre os três maiores gastos de uma operação agrícola. Pequenas variações no consumo ao longo do ano podem significar a diferença entre lucro e prejuízo no fechamento da safra.
Além disso, o combustível apresenta características que o tornam especialmente vulnerável:
- Está disperso pela operação, circulando entre frentes de trabalho;
- Possui alta liquidez no mercado informal;
- É difícil de controlar com métodos tradicionais baseados em papel e confiança.
“Planilhas manuais não garantem confiabilidade nem capacidade real de detecção de desvios, o que torna o abastecimento um dos setores mais críticos da gestão de custos na fazenda“, explicou o especialista.
A substituição desse modelo aberto por sistemas fechados, com regras claras de liberação, representa um salto de qualidade na proteção do caixa da propriedade.
Ganhos imediatos com dados em tempo real
A adoção de sistemas eletrônicos de gestão do abastecimento gera resultados rápidos e mensuráveis. De acordo com a Korth, é comum observar economia real entre 3% e 5% no gasto total com combustíveis, apenas com a redução de desvios e maior rigor na coleta de dados.
Os primeiros impactos percebidos pelo produtor incluem:
- Redução imediata de desperdícios;
- Maior previsibilidade do consumo por máquina e por operação;
- Controle preciso de estoques, evitando tanto excessos quanto falta de combustível.
Um exemplo prático está na medição de tanques: enquanto métodos manuais apresentam desvios médios de ±2,5%, sondas eletrônicas operam com margens próximas de ±0,5%, permitindo decisões mais assertivas sobre quando e quanto comprar — algo crucial em um mercado de preços voláteis.
O retorno pleno da informação, no entanto, costuma se consolidar em um ciclo de cerca de seis meses, período necessário para formar um histórico estatístico confiável de consumo.
Digitalização, eficiência e sustentabilidade caminham juntas
Mesmo níveis básicos de digitalização já trazem ganhos relevantes. A simples substituição do papel por aplicativos móveis elimina problemas clássicos do campo, como registros ilegíveis, falhas de preenchimento e retrabalho no escritório.
Com o uso de ferramentas digitais, informações como data, horário e localização via GPS passam a ser registradas automaticamente, aumentando a confiabilidade e a rastreabilidade dos dados. Além disso, a identificação padronizada de máquinas e operadores reduz erros e fraudes.
Em um estágio mais avançado, sistemas completos de automação do abastecimento — com medidores digitais, válvulas de controle, cartões eletrônicos e tags nas máquinas — tornam o processo muito mais rígido e difícil de burlar. O impacto é direto:
- Menor consumo total de combustível;
- Menos emissões associadas a desperdícios;
- Maior eficiência operacional e ambiental.
“Digitalizar o abastecimento não é apenas uma decisão tecnológica, mas estratégica, pois conecta eficiência operacional, controle financeiro e sustentabilidade em um único processo“, informou o Diretor da Korth.
Combustível e o impacto direto no caixa e na produtividade
No dia a dia da fazenda, os efeitos são claros:
- Máquinas menos tempo paradas por falhas de abastecimento;
- Menos combustível “invisível” saindo do caixa;
- Decisões baseadas em dados reais, e não em estimativas.
“Em um cenário de margens apertadas, ganhar eficiência no que já está dentro da porteira tornou-se uma das principais alavancas de competitividade do produtor rural. A gestão inteligente do abastecimento mostra que, muitas vezes, o lucro não está em produzir mais, mas em perder menos“, finalizou o diretor de Operações da Korth.
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