Equipamento desenvolvido pela startup FIT, em parceria com a Embrapa Instrumentação, possibilita análise rápida de grãos com alto teor oleico.
A empresa brasileira FIT (Fine Instrument Technology) realizou sua primeira venda da tecnologia SpeCFIT para a Ucrânia, um dos principais polos mundiais de produção e exportação de óleo de girassol. O movimento leva uma tecnologia desenvolvida no Brasil para um dos mercados de maior relevância global para a cadeia de oleaginosas e para a definição de padrões internacionais de qualidade.
O equipamento desenvolvido em parceria com a Embrapa Instrumentação utiliza Ressonância Magnética Nuclear (RMN) de baixo campo para realizar análises rápidas e não destrutivas de grãos e sementes, dispensando o uso de reagentes químicos e reduzindo a dependência de métodos laboratoriais convencionais. Na operação realizada na Ucrânia, a aplicação está voltada à medição do teor de ácido oleico (Ômega-9), atributo que vem ganhando importância na comercialização internacional de girassol.
Estimativas de mercado apontam que o setor global de óleo de girassol movimenta atualmente cerca de US$ 25 bilhões por ano e mantém trajetória de crescimento, impulsionado pela demanda da indústria alimentícia e pela valorização de variedades com alto teor oleico. A Ucrânia ocupa posição estratégica como um dos principais produtores e exportadores mundiais, exercendo forte influência sobre padrões internacionais de qualidade e formação de preços.
Em mercados como União Europeia, Estados Unidos e parte da Ásia, o teor de ácido oleico já é utilizado como critério de classificação e remuneração da produção, com bonificações para grãos classificados como “high oleic”. Além do maior valor comercial, esse atributo está associado à maior estabilidade térmica dos óleos, maior resistência à oxidação e características nutricionais valorizadas pela indústria e pelos consumidores.
No Brasil, a comercialização do girassol ainda é predominantemente baseada no teor total de óleo destinado ao esmagamento, enquanto atributos qualitativos, como o teor de ácido oleico, têm participação mais limitada na formação de preços.
Com a operação na Ucrânia, somada à recente expansão para a Colômbia, a FIT dá continuidade ao seu processo de internacionalização iniciado em 2018. Atualmente presente em 19 países, a empresa amplia sua atuação em mercados agrícolas estratégicos com tecnologias voltadas à análise de qualidade de matérias-primas para a agroindústria.
Para o CEO da FIT, Daniel Consalter, a entrada no mercado ucraniano representa um passo relevante na trajetória internacional da empresa e evidencia o potencial de aplicações da tecnologia brasileira em cadeias globais de produção. “Mercados que remuneram atributos de qualidade exigem métodos de medição rápidos e confiáveis. A análise por RMN permite gerar essas informações praticamente de forma instantânea, apoiando decisões ao longo da cadeia produtiva”, afirma.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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