Tarifaço: EUA reduz alíquotas de 40% para 15% e pode reabrir mercado para exportações brasileiras

Mudanças nas tarifas anunciadas por Donald Trump devem baratear produtos da pauta brasileira e recolocar setores como calçados no mercado norte-americano, avalia ex-secretário de Comércio Exterior diante do “tarifaço dos EUA”

As recentes movimentações envolvendo a política tarifária dos Estados Unidos, o “tarifaço”, podem provocar um efeito prático importante para o Brasil: a redução de alíquotas de importação de 40% para 15% em diversos produtos exportados ao mercado norte-americano. A avaliação é do ex-secretário de Comércio Exterior e sócio-fundador da BMJ Consultoria e do escritório Barral Parente Pinheiro, Welber Barral, em análise publicada pelo Estadão Conteúdo.

Segundo Barral, as decisões anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, entre sexta-feira e sábado (21), embora vistas por muitos como parte de um novo “tarifaço”, podem representar, na prática, uma redução significativa de custos para produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos.

De acordo com o especialista, a leitura do cenário não deve se limitar ao discurso político. “Em termos práticos”, destacou, muitos produtos da pauta brasileira terão suas tarifas de importação no mercado americano reduzidas de 40% para 15% .

O que muda na prática para o Brasil com a nova política de tarifas de Trump

A queda da alíquota representa um ganho direto de competitividade. Produtos que estavam praticamente inviabilizados no mercado norte-americano por conta do peso tarifário podem voltar a disputar espaço.

Barral cita como exemplo o setor de calçados, que pode se beneficiar da nova configuração tarifária e retomar exportações aos Estados Unidos . A redução de 25 pontos percentuais na alíquota significa não apenas menor custo final ao importador americano, mas também maior margem de negociação para exportadores brasileiros.

Em um momento em que o Brasil busca diversificar mercados e fortalecer sua presença internacional, especialmente em meio às oscilações cambiais e aos desafios logísticos globais, a mudança pode representar uma nova janela estratégica.

Nem todos os setores serão beneficiados

Apesar do possível alívio tarifário em vários segmentos, o cenário não é uniforme. Barral alertou que alguns produtos continuarão enfrentando tarifas elevadas, principalmente aqueles envolvidos em investigações com base na Seção 232 da legislação norte-americana, que trata de medidas de segurança nacional e práticas como dumping .

Entre os setores impactados por essas medidas estão alumínio e aço, que seguem sob forte escrutínio e sujeitos a tarifas adicionais. Isso significa que, enquanto parte da pauta exportadora pode ganhar fôlego, outra parcela continuará enfrentando barreiras relevantes.

Tarifaço: Estratégia de negociação internacional

Na avaliação do ex-secretário, o uso de tarifas pelos Estados Unidos tem funcionado como instrumento de negociação política e comercial com diversos países . A política tarifária, portanto, não é apenas uma medida econômica, mas parte de uma estratégia mais ampla de pressão e barganha internacional.

O tema deve ganhar relevância nas próximas semanas, já que, segundo Barral, a questão estará na pauta da reunião prevista entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e Donald Trump .

Essa sinalização indica que o debate sobre tarifas e comércio bilateral pode evoluir para acordos ou ajustes específicos, dependendo da condução diplomática entre os dois países.

Impactos para o agronegócio e demais exportadores

Embora o exemplo citado tenha sido o setor de calçados, a análise abre espaço para reflexões mais amplas, inclusive no agronegócio. Caso produtos da pauta agroindustrial brasileira também sejam contemplados pela redução tarifária, o efeito pode ser relevante em termos de volume exportado e geração de receita.

Os Estados Unidos continuam sendo um dos principais destinos das exportações brasileiras, tanto de produtos industrializados quanto de itens ligados ao agro. Qualquer alteração no regime tarifário influencia diretamente decisões de investimento, planejamento de safra, contratos futuros e estratégias logísticas.

Além disso, a possível redução de tarifas ocorre em um momento de rearranjo nas cadeias globais de suprimento, com empresas buscando alternativas mais competitivas diante de tensões comerciais entre grandes potências.

Cenário ainda exige cautela

Apesar do otimismo em relação à queda de alíquotas, especialistas recomendam cautela. O ambiente comercial internacional permanece volátil, e mudanças tarifárias podem ser revistas ou condicionadas a negociações políticas.

Ainda assim, o ponto central da análise é claro: em termos práticos, muitos produtos brasileiros podem deixar de pagar 40% e passar a pagar 15% de tarifa ao entrar nos Estados Unidos, o que representa um ganho expressivo de competitividade .

Se confirmadas e consolidadas, as medidas podem marcar uma inflexão importante na relação comercial Brasil–Estados Unidos, com potencial de reativar setores hoje pressionados por custos e ampliar oportunidades no maior mercado consumidor do mundo.

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