A “super-bicheira” que não morre com remédio comum e assombra fazendas em 2026

Com resistência a tratamentos convencionais, novas larvas de miíase exigem rotação de moléculas e manejo estratégico para evitar a morte de bezerros em até 8 dias

O setor pecuário brasileiro enfrenta um desafio sanitário sem precedentes neste início de ano. A disseminação da super-bicheira, uma forma de miíase cutânea altamente resistente aos tratamentos convencionais, está colocando em xeque a produtividade de milhares de propriedades.

O fenômeno, impulsionado pelo uso incorreto de medicamentos, criou larvas que parecem “rir” dos venenos tradicionais, exigindo uma mudança drástica no manejo sanitário para evitar perdas irreversíveis no plantel.

O que é a super-bicheira e por que ela é tão perigosa?

Diferente da miíase comum, a super-bicheira é o resultado de uma seleção artificial não intencional provocada pelo homem. Trata-se da infestação de larvas da mosca Cochliomyia hominivorax que desenvolveram mutações genéticas e mecanismos fisiológicos para sobreviver às principais moléculas inseticidas do mercado.

Enquanto a bicheira tradicional morria poucas horas após o contato com sprays e injetáveis, a super-bicheira possui uma parede celular mais densa e sistemas enzimáticos capazes de metabolizar e neutralizar o veneno antes que ele atinja seu sistema nervoso. Isso significa que, na prática, o produtor aplica o produto, mas a larva continua se alimentando do tecido vivo do animal, causando dor extrema e infecções secundárias.

O colapso da resistência parasitária no campo

De acordo com estudos da Embrapa Gado de Corte, a super-bicheira não surgiu por acaso. Notas técnicas de epidemiologia apontam que décadas de subdosagem e uso indiscriminado de produtos químicos selecionaram uma geração de larvas “blindadas”. Em estados como Maranhão e Mato Grosso do Sul, a prevalência do problema já atinge 90% das propriedades, tornando o manejo uma corrida contra o tempo.

A ciência corrobora o desespero do produtor. Artigos publicados na SciELO explicam que o uso de moléculas de forma repetitiva e sem critério técnico eliminou as moscas suscetíveis, deixando apenas as mais fortes. O resultado é o que vemos hoje nos currais: produtores aplicando o dobro da dose recomendada e, ainda assim, observando larvas vivas e ativas dentro das feridas dos animais.

Impacto econômico: O prejuízo bilionário da super-bicheira

Não se trata apenas de uma questão de bem-estar animal, mas de sobrevivência financeira. Dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) estimam que parasitas e a super-bicheira causem prejuízos bilionários à pecuária brasileira anualmente. As perdas são multifatoriais:

  • Perda acelerada de peso em animais de recria e engorda devido ao estresse e dor.
  • Danos irreversíveis ao couro, depreciando o valor do animal no momento do abate.
  • Alta taxa de mortalidade de bezerros: uma larva de super-bicheira pode levar um recém-nascido à morte em apenas 8 dias se o controle não for imediato, especialmente via infecção umbilical.

Além do spray convencional

Para combater esse inimigo invisível, a solução para a super-bicheira não está em simplesmente aumentar a dose — o que apenas agrava a resistência —, mas em inteligência farmacológica aplicada.

A orientação dos especialistas é clara: o segredo agora reside na rotação de moléculas. É fundamental alternar o uso de princípios ativos, migrando da tradicional Ivermectina para a Doramectina ou utilizando formulações modernas à base de Closantel. O uso de terapias combinadas (injetável + tópico) tem se mostrado a única forma eficaz de quebrar o ciclo da super-bicheira. No entanto, qualquer mudança no protocolo deve ser precedida por uma consulta técnica com um médico veterinário, garantindo que a nova estratégia não seja desperdiçada.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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