Identificar precocemente os furos na figueira é o divisor de águas entre salvar o pomar ou amargar o prejuízo; conheça o manejo técnico para combater a broca e proteger sua produção.
Encontrar pequenos furos na figueira, acompanhados de uma espécie de serragem ou resíduos no pé da árvore, é um sinal de alerta máximo para produtores rurais e entusiastas da fruticultura. Esse sintoma não é apenas estético: ele indica a presença de pragas perfuradoras que, se não combatidas, podem levar à morte da planta em poucos meses.
No Brasil, o principal culpado costuma ser a broca-da-figueira (Azochis gripusalis), uma mariposa cujas larvas cavam galerias profundas nos ramos e no tronco.
O que causa os furos na figueira?
A origem dos danos reside no ciclo de vida de insetos xilófagos (que se alimentam de madeira). Segundo dados da Embrapa Clima Temperado, a fêmea da broca deposita seus ovos nas axilas das folhas ou em feridas na casca. Ao eclodirem, as larvas penetram no tecido vegetal, criando os característicos furos na figueira.
Além da Azochis gripusalis, fontes internacionais como a University of California (UC Davis) apontam que besouros da família Cerambycidae também podem causar danos semelhantes em plantações globais. A diferença fundamental é que, enquanto a broca-da-figueira ataca preferencialmente os ponteiros e ramos novos, os besouros maiores focam no tronco principal, comprometendo a estrutura da árvore.
Como os furos na figueira afetam a produção?
O impacto econômico é severo. De acordo com pesquisas brasileiras, uma infestação não controlada pode reduzir a produtividade de um pomar em até 40%. O ataque obstrui os vasos condutores de seiva, causando:
- Murchamento repentino das folhas superiores.
- Secamento de ramos, que se tornam quebradiços.
- Interrupção do desenvolvimento dos frutos, que caem prematuramente.
O sinal mais clássico da infestação é a presença de exsudação de seiva ou uma “serragem” (frass) acumulada logo abaixo do orifício. Esse resíduo é o excremento da larva misturado com fibras da madeira, confirmando que o inseto ainda está ativo dentro da planta.
Como tratar e prevenir os furos na figueira
Salvar uma planta atacada exige uma combinação de manejo cultural e, em casos graves, intervenção química. Veja o passo a passo recomendado por especialistas:
- Monitoramento Constante: A broca tem picos de revoada na primavera e no verão. Inspecionar o pomar semanalmente nestas épocas é crucial para detectar os primeiros furos na figueira antes que alcancem o tronco principal.
- Poda de Limpeza Profunda: Ao identificar ramos com furos, faça a poda cerca de 10 a 15 cm abaixo do último sinal de galeria. Importante: Queime ou retire os ramos podados da área para evitar que as larvas completem o ciclo e voltem a atacar.
- Manejo com Óleo de Neem: Para infestações iniciais e preventivas, o uso de óleo de neem tem se mostrado eficiente em repelir a postura de ovos, conforme estudos de agricultura orgânica.
- Obstrução Manual: Em árvores de jardim ou pequenas produções, é possível inserir um arame fino no furo para matar a larva ou injetar uma solução inseticida diretamente no orifício, lacrando-o em seguida com cera de abelha ou pasta selante.
A presença de furos na figueira não precisa significar a perda definitiva da árvore ou da safra. A chave para o sucesso na fruticultura, especialmente no manejo de pragas perfuradoras, reside na observação constante e na agilidade da resposta inicial.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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