StoneX projeta superávit global de 287 mil toneladas no mercado de cacau

Relatório indica alívio nos fundamentos de oferta e demanda em 2025/26 e aponta novo excedente de 267 mil toneladas na safra seguinte.

A StoneX, empresa global de serviços financeiros, divulgou seu Relatório de Saldo Global de Cacau, indicando um cenário de alívio gradual nos fundamentos de oferta e demanda ao longo das próximas duas safras. Para o ciclo 2025/26, a consultoria estima um superávit global de 287 mil toneladas, enquanto a primeira projeção para 2026/27 aponta um excedente de 267 mil toneladas, sinalizando a entrada do mercado em um novo ciclo superavitário.

“Com isso, a StoneX revisou a safra 2025/26 com aumento da oferta na Csta do Marfim, leve ajuste negativo em Gana e redução da demanda global. A produção mundial foi revisada para baixo, assim como a demanda, mantendo o saldo global em 287 mil toneladas”, realça o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Rafael Borges.

2026 começa sem pauta — e o Brasil pode pagar a conta

A primeira estimativa para a safra 2026/27 foi construída considerando um cenário de normalidade climática e a continuidade de ganhos graduais de produtividade, impulsionados por investimentos em área plantada e manejo, estimulados pelos elevados preços do cacau desde 2023. Pelo lado da demanda, a análise pressupõe um ambiente ainda frágil, porém com sinais de recuperação mais consistente, resultando em um novo superávit global.

Gana: otimismo crescente com a safra

Em Gana, até a primeira metade de novembro, cerca de 220 mil toneladas já haviam sido entregues aos portos, alimentando um cenário de otimismo para a safra 2025/26. As expectativas iniciais de uma produção abaixo de 600 mil toneladas vêm sendo revistas diante de boas condições de desenvolvimento das lavouras, apesar dos desafios estruturais como a CSVD, replantio e mineração ilegal.

Outro fator relevante é o preço farmgate pago aos produtores ganenses, que tem superado as cotações internacionais, alcançando patamares acima de US$ 5.000 por tonelada, dependendo da taxa de câmbio do cedi ganense. Esse diferencial reduz o incentivo ao contrabando para países vizinhos e sustenta a perspectiva de uma safra volumosa em 2025/26, com possibilidade de avanço também em 2026/27.

Equador consolida expansão produtiva

“O Equador segue como um dos principais destaques fora da África. A expansão da produção reflete condições climáticas favoráveis nos últimos dois anos, além da maturação de investimentos em ampliação de área e uso intensivo de fertilizantes”, diz Borges. A predominância de variedades híbridas, mais resistentes a pragas e doenças, também contribui para maior estabilidade dos rendimentos.

Segundo fontes locais, os altos preços internacionais estimularam novos investimentos, com apoio dos setores público e privado. Estimativas oficiais indicam que a produção equatoriana pode superar 650 mil toneladas em 2026/27, com potencial de crescimento adicional ao longo da década.

Indonésia e Peru avançam com cautela

Na Indonésia, a StoneX projeta uma recuperação moderada, com produção em torno de 230 mil toneladas nas próximas duas safras. O movimento é sustentado principalmente pelos preços elevados, que ampliaram a capacidade de investimento dos produtores, embora o declínio estrutural do parque cacaueiro ainda limite ganhos mais expressivos. Chuvas acima da média e o risco de um evento de El Niño em 2026 seguem como fatores de atenção.

O Peru, por sua vez, compartilha características estruturais com o Equador, como clima tropical úmido e desafios fitossanitários semelhantes. A safra 2024/25 já se beneficiou de chuvas regulares e preços elevados, impulsionando investimentos em manejo e fertilização. Para as próximas temporadas, as perspectivas permanecem favoráveis, sustentadas pelo bom manejo agrícola.

Outros produtores e ajustes regionais

Para os demais países produtores, o cenário geral é positivo, com chuvas favoráveis e preços elevados frente à média da última década, incentivando a produção. Ainda assim, para 2025/26, a StoneX estima uma redução de pouco menos de 50 mil toneladas na categoria “Outros” do saldo global, refletindo o diferencial de preços ao produtor entre Costa do Marfim, Gana e países vizinhos como Guiné, Libéria e Togo, que tendem a escoar parte de sua produção pelos dois principais players africanos.

Demanda segue pressionada, mas com sinais de estabilização

Pelo lado da demanda, os dados de moagem — principal indicador de consumo — registraram forte queda nos últimos três trimestres. No primeiro trimestre da safra 2025/26 (outubro a dezembro de 2025), a moagem recuou 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, pressionando o mercado.

Ainda assim, o trimestre apresentou moagem superior ao período imediatamente anterior, contrariando a sazonalidade histórica. A StoneX avalia que a recente queda nos preços pode permitir uma estabilização ou leve recuperação do consumo até o final de 2026, apesar dos efeitos estruturais de substituição da commodity pela indústria.

“Diante desse cenário, a consultoria estima uma moagem global de 4,663 milhões de toneladas em 2025/26 (+0,02%) e 4,774 milhões de toneladas em 2026/27, avanço de 2,4% frente à safra anterior”, ressalta Borges.

Estoques caminham para normalização

As revisões da StoneX indicam um mercado cada vez mais equilibrado, com recomposição gradual dos estoques globais após a forte destruição observada em 2023/24. Os superávits estimados de 287 mil toneladas em 2025/26 e 267 mil toneladas em 2026/27 devem elevar a relação entre estoques e demanda para patamares próximos de 40% ao final de 2026/27.

“O mercado global de cacau passa por um processo de reorganização e caminha para uma nova normalidade de preços, definida pelo equilíbrio entre atratividade e destruição da demanda, bem como pelos incentivos e desestímulos aos investimentos no cultivo, não apenas na África, mas também em países como o Equador”, conclui Borges.

Fonte: StoneX

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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