Relatório global da Starlink revela avanço acelerado da internet via satélite, expansão para novos mercados e integração direta com celulares, consolidando uma nova era de conectividade para regiões rurais e remotas.
A corrida pela conectividade global entrou em um novo capítulo em 2025. Desenvolvida pela SpaceX, a Starlink ampliou sua presença em ritmo acelerado e já conecta milhões de pessoas em diferentes continentes — um movimento que pode redefinir a infraestrutura digital mundial, especialmente no campo. Após apenas cinco anos de operação comercial, a rede já atende mais de 9 milhões de clientes em terra, no ar e no mar, enquanto o serviço foi expandido para dezenas de novos mercados.
Somente em 2025, foram 4,6 milhões de novos clientes ativos e mais de 35 mercados ativados, reforçando a estratégia de levar internet de alta velocidade para áreas com pouca ou nenhuma cobertura.
O avanço ocorre em um cenário onde grande parte da população ainda enfrenta limitações digitais — um desafio que a constelação de satélites em órbita baixa busca resolver ao oferecer conexão rápida e de baixa latência até mesmo nos locais mais isolados.
Mesmo sem detalhar números por estado brasileiro, o relatório mostra um padrão claro: a expansão começa em áreas rurais onde a infraestrutura tradicional falhou — exatamente o perfil de grande parte do agro brasileiro.
Isso permite uma leitura estratégica:
A Starlink não está apenas levando internet — está criando as bases da fazenda conectada.
O antes e depois da Starlink — como a internet via satélite está redesenhando setores estratégicos

Infraestrutura gigante no espaço
A Starlink opera hoje uma das maiores estruturas tecnológicas já colocadas em órbita.
- Mais de 300 lançamentos do Falcon 9 foram dedicados ao projeto.
- Em 2025, ocorreram mais de 120 missões para implantar satélites V2 Mini, adicionando mais de 270 Tbps de capacidade à rede.
- A constelação conta com mais de 9 mil satélites ativos, garantindo múltiplas conexões simultâneas aos usuários.
Esse crescimento acelerado permite que a rede alcance locais onde a infraestrutura terrestre simplesmente não chega — fator decisivo para regiões rurais.
Direct to Cell: o celular conectado direto ao satélite com a Starlink
Um dos marcos mais relevantes do ano foi a consolidação da rede Direct to Cell, tecnologia que funciona como uma “torre de celular no espaço”.
Ela permite enviar voz, vídeo e mensagens diretamente para celulares não modificados, ampliando drasticamente o alcance da comunicação.
Os números impressionam:
- Mais de 650 satélites Direct to Cell já estão em órbita.
- O serviço está disponível para mais de 400 milhões de pessoas por meio de parcerias com operadoras móveis.
- Em média, mais de 6 milhões de usuários utilizam o sistema mensalmente em regiões sem cobertura terrestre.
O resultado é que a Starlink se tornou rapidamente a maior operadora de cobertura 4G do planeta, segundo o relatório.
Para o agronegócio — altamente dependente de comunicação em áreas isoladas — essa tecnologia pode representar um divisor de águas.
Agro conectado: o campo entra na era da internet total
A deficiência de conectividade ainda é um gargalo produtivo. Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos agricultores e pecuaristas afirmam não ter internet adequada para administrar suas operações, setor que movimenta quase US$ 133 bilhões do PIB.
Para mudar esse cenário, a Starlink firmou parceria com fabricantes de máquinas agrícolas, integrando a conectividade via satélite às tecnologias de agricultura de precisão — permitindo:
- compartilhamento de dados em tempo real;
- diagnóstico remoto de equipamentos;
- operações autônomas no campo.
No Brasil, produtores relatam ganhos diretos de produtividade. Um agricultor de Taquaritinga passou a realizar tarefas bancárias, assinar documentos e participar de reuniões por vídeo sem sair da fazenda — algo antes inviável.
Já cafeicultores do interior paulista abandonaram a internet via rádio e adotaram automação, comunicação em tempo real e sistemas de segurança mais eficientes.
👉 O efeito prático é claro: cada hectare passa a operar com mais inteligência e menos gargalos logísticos.
Educação e saúde também avançam
O impacto da conectividade vai muito além da produção agrícola.
- Mais de 6 milhões de estudantes foram conectados por iniciativas educacionais ao redor do mundo.
- Nas Bahamas, cerca de 200 escolas e mais de 40 mil alunos passaram a ter internet estável entre 200 e 350 Mbps.
Na saúde, a transformação é ainda mais sensível:
- A Starlink está presente em 600 clínicas na Zâmbia, reduzindo o tempo de espera dos pacientes em mais de 40%.
- O sistema permite 100 mil sessões médicas remotas por ano em instalações conectadas.
Em regiões onde antes era preciso viajar horas para atendimento, a telemedicina virou realidade.
Internet via satélite que funciona até em crises
Outro diferencial estratégico da rede é a resiliência. Durante desastres naturais, a empresa adota uma política direta: oferecer serviço gratuito às áreas afetadas para garantir comunicação de emergência.
A conectividade já foi usada para apoiar operações em incêndios florestais, inundações e furacões — mantendo autoridades, socorristas e moradores conectados quando as redes tradicionais falham.
O que isso significa para o futuro
A expansão da Starlink indica que a conectividade deixou de ser apenas infraestrutura — e passou a ser um ativo estratégico para produtividade, segurança e desenvolvimento econômico. Com velocidades médias globais acima de 200 Mbps e latência próxima de 26 ms, a rede avança para oferecer uma experiência comparável à fibra em regiões antes invisíveis para o mapa digital.
Se a tendência continuar, o maior impacto pode ocorrer justamente onde historicamente houve maior exclusão: o interior.
Para o agro, isso representa a entrada definitiva na era da fazenda hiperconectada.
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