Soja e milho: margem apertada em 2025/26?

Os mercados podem ter comportamentos distintos no ciclo 2025/26 e resultados melhores para o cultivo do milho.

A safra 2024/25 foi marcada pela recuperação das margens e retorno financeiro à “dobradinha” soja e milho, após o ano safra que pode ser considerado por muitos como o pior da história do setor agrícola brasileiro (2023/24) – o período foi marcado por custos de produção em alta e preços em baixa.

Na safra 2024/25, os preços do milho e da soja estiveram relativamente sustentados, no caso da soja, e firmes para o milho (tabela 1), apesar dos recordes de produções.

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Tabela 1.
Preço médio da saca de soja e de milho, em diferentes regiões do Brasil, e a variação entre safras.

Preço – soja (R$/saca)
 Mato GrossoParanáGoiásMaranhão
2023/24R$117,76R$129,48R$121,03R$117,87
2024/25R$123,25R$131,89R$124,38R$118,79
Variação (%)4,7%1,9%2,8%0,8%
Preço – milho (R$/saca)
 Mato GrossoParanáGoiásMaranhão
2023/24R$57,21R$54,40R$44,19R$35,91
2024/25R$69,85R$65,92R$60,06R$53,13
Variação (%)22,1%21,2%35,9%48,0%
Fonte: Scot Consultoria

A produção crescente foi resultado da maior área semeada e, também, da produtividade recorde.

Em 2024/25, os custos caíram. Alguns grupos de custos custaram menos – por exemplo, com fertilizantes e defensivos.

Considerando o custo operacional efetivo – não levando em conta o custo oportunidade e, consequentemente, o custo total efetivo, houve retração nas praças do Mato Grosso, Paraná, Goiás e Maranhão. Em média, o custo para a rotação soja/milho caiu 18,3% (Conab).

Com produtividade e produção recorde e preços melhores, a receita, considerando a média do ano safra, cresceu.

O resultado de receita maior e custo menor, permitiu uma margem melhor em 2024/25 (figura 1).

Figura 1.
Estimativa do resultado para a produção de soja, na safra de verão, e milho, na safra de inverno, em diferentes regiões do Brasil, em R$/hectare, considerando o custo operacional efetivo (COE), como referência e o preço médio na safra 2024/25.

Fonte: Conab, Scot Consultoria / Elaboração: Scot Consultoria

O que esperar para 2025/26?

A colheita da safra de soja está avançando e a projeção é de uma safra recorde.

A estimativa de recorde e um déficit de armazenagem no país deverá impor preços médios de estáveis a menores, em relação a 2025. 

Há alguns fatores que podem mudar essa trajetória. O preço da soja brasileira tem forte influência do preço no mercado internacional – principalmente no da Bolsa de Chicago (CBOT).

Apesar da boa oferta global em 2025/26, neste momento, o preço da soja na CBOT está firme e em alta, o contrato com vencimento para março/26, período de colheita no Brasil, está em US$11,55/bushel, referência superior aos US$10,45/bushel no mesmo período do ano anterior.

O mercado em Chicago está sustentado por um movimento de especulação quanto a um aumento de demanda chinesa por soja estadunidense, pela menor produção local no ciclo 2025/26 e pela expectativa de demanda aquecida por óleo de soja nos EUA.

Além de Chicago, o dólar e os prêmios de exportação (ágio ou deságio promovido pelo comprador internacional, a depender da demanda), são os outros fatores que formam preços.

A apreciação do real ante ao dólar, com a moeda estadunidense em sua mínima nos últimos dois anos, não tem permitido preços mais firmes para a soja brasileira.

Do lado dos prêmios de exportação, os para março e abril estão no campo negativo (natural para estes meses, considerando a sazonalidade de oferta no Brasil e ausência de choque de ofertas), mas, apesar disso, o campo negativo atual é o de mesmo referencial de um ano atrás – entre US$0,10 a US$0,20/bushel a menos.

Ou seja, com Chicago em alta e prêmios iguais a 2025 neste momento, o dólar é o fator que eventualmente poderá dar sustentação aos preços, no Brasil.

Apesar dessa expectativa, a oferta robusta adiante deverá limitar altas que venham a acontecer em função do câmbio.

Para o milho, a influência do mercado internacional é menor, e, ainda há dúvidas quanto a oferta no Brasil, principalmente, para a segunda safra.

A produtividade estimada em fevereiro/26 indica diminuição de 6,0% em relação ao ano anterior, que, mesmo com uma projeção de aumento de 2,7% na área semeada, deverá ter uma produção 3,5% menor.

Há, neste momento no Brasil, porém, incertezas quanto a janela ideal de semeadura e ligeiro atraso nos trabalhos (tabela 2).

Tabela 2.
Avanço da semeadura da segunda safra de milho no Brasil.

EstadoSemana até:Média 5 anos
20252026
22/fev14/fev21/fev
Goiás56,0%7,0%28,0%45,6%
Piauí26,0%0,0%25,0%21,6%
Tocantins50,0%30,0%60,0%57,0%
São Paulo0,0%0,0%0,0%10,2%
Minas Gerais21,4%14,0%20,5%23,2%
Maranhão30,0%10,0%27,0%33,8%
Mato Grosso do Sul27,0%14,0%19,0%31,6%
Mato Grosso67,7%45,0%58,0%62,4%
Paraná56,0%22,0%30,0%38,4%
9 estados53,6%32,2%46,7%53,2%
Fonte: Conab / Elaboração: Scot Consultoria

Do lado da demanda, a indicação é de crescimento – para o consumo interno, de 90,6 milhões de toneladas, para 94,6 milhões de toneladas, e a exportação, deve crescer de 41,6, para 46,5 milhões.

O atraso na semeadura da soja em algumas regiões e maior risco climático poderá diminuir a produtividade esperada para o ciclo atual – consequentemente, menor oferta, o que indica um mercado de estável à alta para o milho.

Essa alta, porém, deverá ser moderada em relação ao ciclo passado 2023/24, em função dos estoques de entrada de milho mais confortáveis este ano.

Do lado dos custos de produção, há a expectativa de que estes serão maiores, puxados, principalmente, pelo custo com os fertilizantes, que, ao longo de 2025 subiram em relação a 2024 – houve, porém, janelas de oportunidade para diminuir os custos (tabela 3).

Tabela 3.
Preço de diferentes grupos de fertilizantes no Centro-Sul e a sua variação anual.

Fertilizantesfev/26var (%) anual
Sulfato de Amônio2.582,2232,68%
Ureia3.929,8624,60%
Nitrato de Amônio2.363,1812,84%
Cloreto de Potássio pó3.160,5112,82%
Cloreto de Potássio granulado2.959,6717,33%
Super Simples Gr.2.305,308,62%
Super Simples Pó2.395,5829,81%
Super Triplo3.362,5029,33%
Map granulado4.594,7624,21%
Dap3.150,00-0,97%
20-00-10 – pastagem2.129,28-2,08%
20-00-20 – cobertura – grãos3.007,604,73%
Fonte: Scot Consultoria

A estimativa para a safra 2025/26 é de que os custos aumentem, ao menos, 6,1% (Conab).

Com um rendimento menor para o milho e preços médios para 2025/26 com a perspectiva de trabalharem próximos às referências em 2024/25, espera-se margens operacionais menores (figura 2).

Figura 2.
Estimativa de resultado para a produção de soja, na safra de verão, e milho, na safra de inverno, em diferentes regiões do Brasil, em R$/hectare, considerando o custo operacional efetivo (COE), como referência e o preço médio na safra 2025/26*.

*preço médio entre julho de 2025 e fevereiro de 2026.
Fonte: Conab, Scot Consultoria / Elaboração: Scot Consultoria

O ciclo 2025/26 será desafiador. Com a perspectiva de uma safra recorde a caminho, a possibilidade de preços médios mais frouxos existe – imprimindo um cenário de margens que podem ser ainda menores que o estimado.

Além disso, nesta análise, não consideramos o custo financeiro (depreciação e custo oportunidade), nem o arrendamento da terra. Levando em considerações estes fatores, os desafios são ainda mais significativos.

Fonte: Agroanalysis

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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