Em uma das maiores operações logísticas envolvendo animais de elite em zona de conflito, 147 cavalos foram retirados às pressas do Catar e levados para a Bélgica após escalada militar na região do Golfo.
Uma operação digna de cenário de guerra mobilizou empresas, equipes especializadas e uma logística de altíssimo nível para retirar 147 cavalos de elite avaliados em milhões de dólares do Catar, no Oriente Médio, e transportá-los em segurança até a Europa. A ação foi realizada em poucos dias — algo que, em condições normais, levaria semanas — diante da escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que elevou drasticamente os riscos na região do Golfo.
Os animais, que estavam no país para competições internacionais de salto, passaram a correr perigo direto quando mísseis começaram a cruzar os céus da região, forçando uma decisão emergencial: evacuar imediatamente todo o plantel.
Com o fechamento do espaço aéreo do Catar e a suspensão de voos comerciais no Aeroporto Internacional de Hamad (DOH), a solução encontrada foi uma operação logística em duas etapas.
Primeiro, os cavalos de elite foram transportados por via terrestre em uma jornada de aproximadamente 350 quilômetros entre Doha e Riade, na Arábia Saudita — um trajeto que levou cerca de quatro horas e exigiu veículos especializados e reboques adaptados para o transporte seguro dos animais.
Já em território saudita, no Aeroporto Internacional Rei Khalid (RUH), teve início a segunda fase da operação: uma ponte aérea internacional conduzida pela Qatar Airways Cargo, utilizando dois cargueiros Boeing 777F.
- Um voo transportou 74 cavalos
- O outro levou 73 animais
- Ambos seguiram diretamente para o Aeroporto de Liège (LGG), na Bélgica
- Cada viagem teve duração aproximada de seis horas
Durante todo o trajeto, equipes especializadas acompanharam os animais a bordo, garantindo cuidados constantes.
O transporte de cavalos de alto valor exige padrões rigorosos, e neste caso, em meio a um cenário de guerra, o nível de exigência foi ainda maior. Confira aqui o conteúdo que explica os detalhes desses aviões.
Os animais foram acomodados em baias especiais dentro das aeronaves, com:
- Ambiente climatizado para manter temperatura estável
- Sistemas para redução de ruídos, minimizando o estresse causado por explosões e interceptações de mísseis
- Monitoramento em tempo real, permitindo acompanhar a condição de cada cavalo durante todo o voo
O Boeing 777F foi escolhido justamente por oferecer grande capacidade de carga e sistemas avançados de controle ambiental, fundamentais para esse tipo de operação.
Além disso, antes mesmo da evacuação, os cavalos de elite já haviam sido mantidos em instalações fechadas e protegidas, com estrutura preparada para reduzir impactos externos, incluindo sons de ataques na região.
A operação foi resultado de um esforço conjunto envolvendo o Doha Equestrian Tour, a Qatar Airways Cargo e parceiros locais e internacionais. A decisão de retirada foi tomada após a intensificação dos ataques e o aumento da instabilidade no Golfo.
A rapidez da ação chamou atenção: em poucos dias, toda a logística foi planejada e executada, garantindo a retirada segura de praticamente 150 animais de altíssimo valor genético e esportivo.
O destino final da operação, o Aeroporto de Liège, na Bélgica, não foi escolhido por acaso. O local é considerado um dos principais centros logísticos do mundo para transporte de animais vivos, com estrutura especializada para recepção, quarentena e redistribuição de cavalos de competição.
Esse tipo de movimentação é essencial para manter ativa a indústria global de eventos equestres, que envolve milhões de dólares em genética, competições e turismo esportivo.
Casos como esse evidenciam a complexidade do transporte internacional de animais de alto valor, especialmente em cenários extremos. Mais do que logística, trata-se de uma operação que envolve:
- Planejamento minucioso
- Integração entre diferentes países
- Protocolos rigorosos de bem-estar animal
- Alto nível tecnológico
O sucesso da evacuação reforça o papel de empresas especializadas, como a Qatar Airways Cargo, que vêm se consolidando como referência global nesse tipo de operação.
Em meio ao cenário de guerra, a retirada dos cavalos não apenas evitou prejuízos milionários, mas também garantiu a preservação de linhagens genéticas e atletas essenciais para o circuito mundial do hipismo.
Veja o vídeo da ação
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