Diante do desenrolar desse ano, um questionamento foi levantado: “Seria possível criar um preço mínimo para a arroba do boi?”; Qual a sua opinião sobre o tema, você é a favor de um preço mínimo para o boi gordo?
A dinâmica dos preços da arroba no mercado do boi brasileiro é influenciada por diversos fatores, tanto internos quanto externos, e tem impactos significativos para os pecuaristas. O ano de 2023 foi marcado por uma grande pressão negativa nas cotações da arroba, tendo o ciclo pecuário uma das principais influências neste cenário. Diante do desenrolar desse ano, um questionamento foi levantado: “Seria possível criar um preço mínimo para a arroba do boi?”. Vamos discutir esse tema e, também, alguns aspectos sobre o mercado do boi e suas possíveis estratégias.
Uma das maiores referências no mercado do boi, o a Associação Grupo Pecuária Brasil (GPB), que iniciou em 2014 no interior paulista, evoluiu e ganhou o mercado nacional tornando-se uma referência para muitos pecuaristas – como exemplo, o Balizador de Preços GPB/Datagro. Diante de sua importância, agora, o GPB criou a campanha “Menos de R$ 250/@, NÃO!” para chamar a atenção dos criadores. Será que esse valor é possível?
Em uma análise rápida e objetiva do comportamento da arroba do boi gordo, nos últimos dois anos, o mercado do boi gordo no Brasil experimentou variações notáveis nos preços. Em janeiro a abril de 2022, o preço médio da arroba do boi gordo alcançou R$ 339,80, o maior valor nominal registrado pelo Cepea, representando um aumento de 11,8% em relação ao período anterior.
Avançando para 2023, observa-se que os preços experimentaram uma das maiores quedas, com valores estaduais em torno de R$ 236,23/@ e nacionais em R$ 220,40/@ em dezembro de 2023. Estes números refletem um mercado dinâmico e influenciado por uma variedade de fatores econômico e de mercado.
A expectativa para os preços da arroba do boi gordo em 2024 indica uma tendência de estabilidade. Apesar da queda acumulada ao longo de 2023, os preços começaram a se recuperar nas últimas semanas. Especialistas projetam uma maior estabilidade nos preços da arroba a partir de 2024, com menos espaço para quedas intensas nas cotações. A previsão é de uma cotação média próxima de R$250/@ do boi gordo pago ao produtor em São Paulo até junho/2024, trazendo uma virada de ciclo pecuário com estabilização nos preços

Mas afinal, retomando a pergunta inicial do tema, “Seria possível criar um preço mínimo para a arroba do boi?”. Quando falamos em união dos pecuaristas e a busca por uma proteção da classe da porteira para dentro, assim como foi o objetivo da campanha criada pela GPB, existe sim a consequência positiva no curto prazo para os pecuaristas, já que existirá uma pressão do lado da oferta de animais para abate, forçando a demanda a pagar mais para conseguir originar a matéria-prima.

Entretanto, extrapolando esse questionamento para uma regulamentação que fixe um preço mínimo para a arroba do boi, a decisão se torna muito mais complexa e um “tiro no pé” para o próprio pecuarista. Vamos entender melhor sobre esse assunto.
A questão de estabelecer um preço mínimo para a arroba do boi no Brasil envolve complexidades relacionadas à economia do mercado, políticas agrícolas e demanda de mercado. Não há informação específica sobre a previsão ou implementação de um preço mínimo no Brasil. No entanto, a fixação de um preço mínimo pode ter implicações significativas:
- Regulação Governamental : A implementação de um preço mínimo geralmente requer intervenção governamental. Isso pode incluir subsídios para pecuaristas ou medidas para controlar a oferta e a demanda.
- Impacto no Mercado : Preços mínimos podem afetar a dinâmica do mercado, potencialmente levando a um excesso de oferta se o preço estipulado estiver acima do preço de mercado.
- Considerações Internacionais : Como um importante exportador de carne bovina, qualquer mudança significativa na política de preços do Brasil poderia afetar suas relações comerciais, especialmente com grandes consumidores como a China.
- Desafios Econômicos : A fixação de preços pode ser desafiadora em um mercado volátil, onde fatores como condições climáticas, surtos de doenças e mudanças na demanda global podem afetar rapidamente os preços.
- Experiências Passadas e Alternativas : Outros países que buscaram resultados semelhantes tiveram resultados mistos, sugerindo a necessidade de considerar cuidadosamente as consequências econômicas e de mercado.
Para uma análise mais aprofundada, seria necessário considerar estudos econômicos específicos e opiniões de especialistas no setor pecuário.
Estratégias disponíveis no mercado para garantir um preço mínimo para arroba do boi
No mercado do boi gordo, a estratégia de venda antecipada do gado e o travamento de preços auxiliam no planejamento financeiro da fazenda, e podem definir a sustentabilidade do negócio e garantir os valores das cotações em momentos de grandes oscilações negativas.
- Contrato futuro
Os negócios através de contratos futuros na Bolsa são menos utilizados pelos pecuaristas que o contrato de boi a termo, mas garantem o patamar de preço travado. Os preços travados usam a referência São Paulo, ou seja, uma oscilação das cotações distintas na praça da fazenda pode fazer com que a trava perca efetividade ou gere um ganho extra (se na praça de atuação o preço cair menos que em São Paulo, por exemplo). É o risco de base.
Para efetuar o negócio, é necessário realizar o cadastro em uma corretora credenciada na Bolsa, além da manutenção de uma margem de garantia na conta, pois diariamente, conforme as oscilações do mercado, ocorre depósito ou retirada do valor equivalente dessa conta. Cada contrato equivale a 330@.
Os contratos são mensais e expiram no último dia útil do mês, utilizando a média das cotações dos últimos cinco dias, tendo o indicador CEPEA como referência de preço de fechamento. O seguro é de preços e não existe entrega física de boiadas.
- Mercado de opções
No mercado de opções, por exemplo, o pecuarista compra uma opção de venda de contrato futuro de boi gordo. O negócio é feito por intermédio da corretora. O preço da arroba é garantido e, em caso de queda, o pecuarista recebe a diferença entre o valor de mercado e o patamar de preço assegurado. O seguro é de preços e não existe entrega física de boiadas.
- Boi a termo
O contrato de boi a termo é uma ferramenta de gestão de risco negociado diretamente e antecipadamente com o frigorífico. O produtor garante o preço e o frigorífico garante a boiada. Os negócios do boi a termo variam, mas como exemplos tem-se os travamentos por preço fixo, através da indexação de um indicador e por preço mínimo.
- Boi a termo – preço fixo
Essa modalidade é a mais praticada no mercado, com o acordo entre as partes sobre o preço que será pago, quantidade de arrobas que deverão ser entregues e data da entrega dos animais ao frigorífico. O preço não varia. Dessa forma, o pecuarista não perde na baixa, mas também não ganha com a alta.
- Com base em indicador
O pecuarista e o frigorífico definem a base de preço adotando algum indicador, como o do CEPEA, por exemplo. O preço de liquidação do contrato é o do indicador no dia do abate.
- Para cada região busca-se um indicador de preços mais fiel possível ao mercado físico daquela região, para ser usado de referência.
Aqui o produtor não se protege de baixas, entretanto, aproveita as altas nas cotações. Pode também já deixar negociadas algumas premiações como Europa ou Angus.
- Preço mínimo
Nessa modalidade é fixado um valor mínimo pela arroba do boi gordo no dia programado para o abate, ou seja, um seguro de preços. Se as cotações estiverem acima do valor acordado, é pago o preço da arroba no dia, mas, se a cotação estiver abaixo do valor acordado, o valor mínimo é pago ao produtor.
Para a efetuação do seguro de preço mínimo é descontado o valor acordado para o seguro (opção de venda) no pagamento ao pecuarista. O custo desse seguro varia conforme o patamar do preço mínimo desejado, tempo até o abate e volatilidade do mercado.
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