Seara antecipa tendência global, conclui gestação coletiva de suínos e amplia produção em 40%

Após cerca de uma década de adequações estruturais e operacionais, companhia transforma modelo produtivo, reforça o bem-estar animal e se posiciona à frente das exigências regulatórias da suinocultura brasileira.

A suinocultura brasileira vive um momento de transformação silenciosa, mas profunda — impulsionada por demandas crescentes por eficiência produtiva, sustentabilidade e bem-estar animal. Nesse cenário, a Seara concluiu a transição para o sistema de gestação coletiva de matrizes suínas em 100% de suas Unidades Produtoras de Leitões (UPDs), movimento que ocorreu sem interromper a expansão da companhia e ainda resultou em um aumento de aproximadamente 40% na produção ao longo do período.

A mudança acompanha uma tendência mundial de revisão dos sistemas intensivos de produção animal e segue os critérios da Instrução Normativa nº 113, de 2020, que estabeleceu regras obrigatórias para o alojamento coletivo de matrizes no Brasil até 2045.

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Segundo representantes da empresa, o processo levou cerca de dez anos para ser finalizado — um prazo que evidencia tanto a complexidade técnica quanto os desafios econômicos envolvidos na modernização da cadeia produtiva.

Bem-estar animal como estratégia — não como custo

De acordo com o gerente executivo de Agropecuária da Seara, Vamiré Sens Júnior, a decisão de antecipar a transição reflete a maturidade do tema dentro da companhia. A avaliação interna apontou que animais criados em melhores condições apresentam desempenho superior, impactando diretamente os resultados operacionais.

O executivo destacou que o bem-estar foi tratado como “um investimento estratégico, capaz de melhorar resultados produtivos e aumentar a competitividade da cadeia”, e não como um gasto adicional.

Esse posicionamento reforça uma mudança de mentalidade crescente no agronegócio: produtividade e responsabilidade socioambiental deixaram de ser conceitos opostos e passaram a caminhar lado a lado.

Um sistema complexo baseado na integração com produtores

Atualmente, a Seara opera com cerca de 2,7 mil propriedades integradas na suinocultura, distribuídas entre as fases de creche, terminação e produção de leitões. O modelo coletivo está concentrado nas UPDs, que somam aproximadamente 250 propriedades.

Quando a transição começou — entre 2015 e 2016 — pouco menos da metade dessas unidades já apresentava algum nível de adequação ao novo sistema.

O maior desafio foi justamente a heterogeneidade das granjas. Muitas estruturas tinham décadas de uso, limitações físicas e perfis produtivos distintos, o que inviabilizou soluções padronizadas.

Para viabilizar o projeto, cada propriedade passou por um diagnóstico individual, com análise de infraestrutura, equipamentos, desempenho e viabilidade econômica. A partir disso, foram elaborados planos personalizados de adaptação, respeitando critérios técnicos como densidade, ambiência, alimentação e manejo.

Reformas, reaproveitamento e crédito para viabilizar a mudança

Um dos principais entraves foi a necessidade de ampliar o espaço por fêmea — exigência do sistema coletivo — o que demandou reformas estruturais e reorganização dos galpões.

Para reduzir custos, a empresa adotou uma estratégia de reaproveitamento de materiais, principalmente estruturas metálicas das antigas celas individuais, que passaram a funcionar como divisórias nas novas baias coletivas. Comedouros também foram reutilizados.

Além disso, a companhia implementou incentivos financeiros atrelados ao desempenho produtivo e ao cumprimento das diretrizes de bem-estar, alinhando eficiência técnica aos resultados econômicos das propriedades.

Houve ainda mecanismos de apoio para facilitar o acesso ao crédito destinado às adequações, com compromissos de longo prazo e contratos que podem chegar a dez anos.

Ganhos produtivos e redução de riscos

Entre os benefícios observados estão menor estresse dos animais, maior uniformidade dos plantéis e melhor controle do manejo reprodutivo.

As baias foram projetadas com limites técnicos de densidade e grupos menores de animais — fator que facilita o monitoramento diário e reduz disputas hierárquicas, lesões e perdas produtivas.

Mesmo durante a transição, a companhia registrou crescimento expressivo, o que reforça a tese de que bem-estar animal pode ser um vetor direto de produtividade.

Outro efeito relevante foi a mitigação de riscos regulatórios e reputacionais, posicionando a empresa à frente das exigências do mercado internacional.

A diretora de sustentabilidade da Seara, Sheila Guebara, ressaltou que há também uma responsabilidade social com os produtores, garantindo que as soluções propostas sejam aplicáveis no campo e não provoquem abandono da atividade por inviabilidade financeira.

O avanço da gestação coletiva no Brasil

O movimento não é isolado. O Brasil já registra cerca de 45% das porcas alojadas em baias coletivas durante a gestação, segundo relatório do Observatório Suíno divulgado em outubro de 2025.

Embora o avanço entre 2024 e 2025 tenha sido moderado — alta de 2,8 pontos percentuais —, a trajetória de médio prazo mostra expansão consistente. Nos últimos quatro anos, o índice acumulou crescimento de 16,5%, passando de 28,4% em 2021 para 42,1% em 2024.

Uma mudança estrutural na suinocultura

Mais do que uma adequação técnica, a adoção da gestação coletiva simboliza uma mudança estrutural na forma como a proteína animal é produzida. Pressões de consumidores, investidores e mercados importadores indicam que padrões mais elevados de bem-estar tendem a se tornar requisito — e não diferencial — nos próximos anos.

Ao antecipar essa agenda, a Seara não apenas amplia sua capacidade produtiva, mas também reforça sua posição em uma cadeia cada vez mais orientada por eficiência, responsabilidade e transparência — três pilares que devem definir o futuro da suinocultura global.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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