Saiba qual aditivo oferecer para bezerros de desmama e como potencializar resultados

Especialista detalha como o uso estratégico de ionóforos e aditivos biotecnológicos evita a perda de peso após o aparte e garante a rentabilidade na transição para a recria

A desmama é o gargalo produtivo da pecuária de corte. Quando o bezerro deixa o pé da vaca, ele enfrenta um estresse multifatorial: nutricional, social e imunológico. Esse impacto pode estagnar o ganho de peso por até 40 dias, o que atrasa o abate e reduz a rentabilidade do ciclo. Para reverter esse cenário, o uso de um aditivo para bezerros de desmama deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito de sobrevivência econômica na fazenda.

Dados da Embrapa Gado de Corte revelam que animais suplementados corretamente na desmama chegam à fase de recria com até 15% mais peso em comparação aos que recebem apenas suplementação mineral comum. O objetivo central é acelerar a maturação do rúmen e manter a imunidade alta em um momento de fragilidade.

Por que o rúmen precisa de ajuda?

O bezerro nasce um pré-ruminante. Até a desmama, ele depende da dieta líquida e do início do consumo de pasto e grãos. O papel do aditivo para bezerros de desmama é modular a fermentação ruminal, selecionando as bactérias que produzem mais energia e menos gases desperdiçados, como o metano.

Ionóforos

A Monensina Sódica e o Lasalocida são os aditivos mais tradicionais. Eles atuam eliminando bactérias gram-positivas, que são menos eficientes na conversão de alimento em músculo. Além disso, estudos publicados no Journal of Animal Science mostram que esses compostos são determinantes no controle da coccidiose (diarreia de sangue), uma das maiores causas de morte e perda de peso após a separação da matriz.

Virginiamicina

A Virginiamicina se destaca pela capacidade de permitir que o animal consuma maiores níveis de energia sem sofrer com a acidose ruminal. Este aditivo para bezerros de desmama melhora a absorção de nutrientes na parede intestinal, resultando em um animal mais “comprido” e com carcaça melhor estruturada para o confinamento futuro.

Leveduras e Óleos essenciais

Com a pressão global por uma produção mais natural, os aditivos biológicos ganharam força. As leveduras vivas (Saccharomyces cerevisiae) atuam como “limpadoras” do ambiente ruminal, consumindo o oxigênio residual e estimulando o crescimento das bactérias que digerem a fibra do pasto.

Já os óleos essenciais (extraídos de plantas como canela e orégano) surgem como alternativa aos antibióticos promotores de crescimento. Pesquisas na Universidade de São Paulo (USP/ESALQ) indicam que esses compostos possuem propriedades antimicrobianas naturais que auxiliam o bezerro a manter o consumo alto mesmo sob o estresse da separação.

Estratégias de manejo para o sucesso no cocho

Para que o aditivo para bezerros de desmama entregue o resultado esperado, a logística da fazenda precisa ser eficiente. Especialistas recomendam:

  1. Adaptação via Creep-Feeding: O ideal é que o animal já conheça o sabor do aditivo pelo menos 30 dias antes do aparte total.
  2. Consumo Uniforme: Se o lote for heterogêneo, animais dominantes podem consumir aditivo em excesso enquanto os menores não ingerem o suficiente. O espaçamento de cocho (mínimo de 30 cm por cabeça para suplementos de alto consumo) é regra de ouro.
  3. Transição Gradual: Nunca troque o tipo de aditivo exatamente no dia da desmama. O animal precisa de estabilidade metabólica para vencer o estresse psicológico.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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