Dados da Conab apontam que o país colheu 141 milhões de toneladas, contra 115 milhões de toneladas na safra 2023/24, representando um avanço expressivo de 22%.; Retrospectiva de 2025 e as perspectivas para 2026 na cadeia do milho, segundo análise da Agrifatto
O desempenho do milho em 2025 consolidou o cereal como um dos grandes protagonistas do agronegócio brasileiro. Em análise divulgada pela Agrifatto, o ano é classificado como histórico, tanto pelo volume recorde produzido quanto pela dinâmica de preços marcada por fortes oscilações ao longo do ciclo. O cenário, segundo a consultoria, ajuda a explicar não apenas o comportamento do mercado em 2025, mas também os limites e oportunidades que se desenham para 2026.
De acordo com a análise da Agrifatto, a safra 2024/25 de milho no Brasil foi marcada por mais um recorde de produção. Dados da Conab apontam que o país colheu 141 milhões de toneladas, contra 115 milhões de toneladas na safra 2023/24, representando um avanço expressivo de 22%.
No cenário internacional, porém, o crescimento foi bem mais contido. Conforme destacado pela consultoria, a produção mundial estimada pelo USDA em 2024/25 ficou em 1,230 bilhão de toneladas, volume “praticamente estável em relação à temporada anterior”. Esse contraste reforçou o papel do Brasil como fornecedor relevante em um mercado global que não expandiu sua oferta no mesmo ritmo.
Em relação às exportações, a Agrifatto ressalta que, mesmo sem repetir recordes históricos, o Brasil “se manteve como um dos principais fornecedores globais”, com embarques concentrados no segundo semestre, período tradicionalmente marcado pela maior disponibilidade do cereal após a colheita da safrinha.
Preços do milho: máximas, mínimas e um longo período de lateralização
Na avaliação da Agrifatto, o comportamento dos preços foi um dos pontos mais emblemáticos de 2025. O ano começou com o milho negociado no indicador CEPEA próximo de R$ 73,00 por saca, refletindo um mercado atento às incertezas produtivas.
Em meados de março de 2025, o cereal atingiu R$ 90,33/sc em Campinas (SP), o que, segundo a consultoria, representou “o maior patamar desde abril de 2022”. Naquele momento, o mercado ainda precificava “um estoque de passagem pequeno e incertezas em relação à safrinha 2024/25”.
Com o avanço das colheitas e a confirmação dos volumes recordes, o movimento se inverteu. A Agrifatto destaca que o indicador atingiu a mínima anual de R$ 62,73/sc em julho de 2025, quando “as colheitas confirmavam os volumes recordes da safra”.
Após esse ajuste, os preços passaram por “um longo período de lateralização, talvez um dos maiores da história”, segundo a análise. A retomada do movimento de alta ocorreu apenas em meados de outubro, impulsionada por uma combinação de fatores:
- Demanda externa mais ativa,
- Consumo interno crescente para etanol e ração,
- Cenário mais desafiador para a janela de plantio da segunda safra 2025/26, já que “algumas regiões tiveram o plantio da soja atrasado pelo clima irregular”.
Perspectivas: produção menor e cautela no início de 2026
Para a safra de milho 2025/26, a Agrifatto aponta que a Conab projeta produção de 138 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1,53% em relação ao ciclo anterior. Segundo a análise, essa redução “reflete principalmente um ajuste de produtividade”, após uma safra em que diversas regiões produziram acima da média histórica.
A consultoria também chama atenção para as incertezas climáticas sobre a safrinha e para a janela de plantio mais apertada em algumas regiões, fatores que “colaboram para um teto produtivo mais baixo” no próximo ciclo.
Demanda sustenta o mercado, mas clima segue no centro das atenções
Na leitura da Agrifatto, o desenvolvimento das lavouras de primeira safra segue regular e, somado a um estoque final mais elevado, o cenário não indica “avanços acima da média para os preços no primeiro semestre”, como os registrados em março de 2025.
Pelo lado da demanda, o destaque segue sendo o setor de etanol de milho, que, segundo a consultoria, continua em expansão, com novos projetos entrando em atividade em 2026. Esse movimento tende a elevar o consumo interno e “dar suporte aos preços, principalmente no Centro-Oeste”.
Ainda assim, a análise conclui com um alerta claro: “o clima segue como ponto de atenção”. Eventuais adversidades ao longo da safrinha podem alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda, influenciando diretamente o comportamento dos preços em 2026.
Em síntese, na avaliação da Agrifatto, 2025 entra para a história como o ano da safra recorde, enquanto 2026 começa sob um cenário de maior equilíbrio, sustentado pela demanda, mas fortemente dependente do clima.
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