Desenvolvida por agricultores pernambucanos, a raça Berganês combina rusticidade, precocidade e alto rendimento de carne, tornando-se símbolo da ovinocultura regional
Na década de 1980, agricultores do município de Dormentes, no sertão de Pernambuco, enfrentavam desafios impostos pelo clima semiárido, como estiagens prolongadas e dificuldades na agricultura tradicional. Em busca de alternativas sustentáveis e adaptadas à realidade local, iniciaram cruzamentos entre as raças Santa Inês, brasileira, e Bergamácia, de origem italiana. O objetivo era desenvolver um ovino que unisse rusticidade, boa produção de carne e adaptabilidade ao ambiente árido.
O resultado desse esforço foi o surgimento do ecótipo Berganês, que ao longo dos anos passou por seleção genética criteriosa, consolidando-se como uma raça de grande porte, sem chifres e com pelagem predominantemente escura. Sua adaptabilidade ao clima quente e seco da Caatinga e sua capacidade de digerir vegetação nativa, como gramíneas, folhas e ramos secos, destacam-se como características fundamentais para sua sobrevivência e produtividade na região.
Características Produtivas e Desempenho
O Berganês é reconhecido por sua notável precocidade e alto desempenho produtivo. Os cordeiros nascem com peso médio de 4,5 kg e, aos 30 dias de vida, já alcançam cerca de 12 kg. Entre 18 e 24 meses, os animais podem atingir impressionantes 130 a 140 kg, com excelente conformação de carcaça e marmorização, atributos valorizados no mercado de carne ovina.
Além disso, a ausência de chifres facilita o manejo e reduz os custos de criação. A raça está sendo selecionada para ser completamente deslanada, embora ainda se aceite a presença de lã em alguns animais adultos. Sua rusticidade e adaptabilidade ao semiárido nordestino permitem que prospere mesmo em condições adversas, mantendo bom desempenho produtivo.
Importância Econômica e Reconhecimento Oficial
A criação da raça Berganês tornou-se uma atividade estratégica para Dormentes, contribuindo significativamente para a economia local. Estima-se que o comércio desses ovinos movimente aproximadamente R$ 2 milhões por mês no município, fortalecendo a caprinovinocultura regional.

O reconhecimento oficial da raça junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é um objetivo almejado pelos criadores, que buscam consolidar o Berganês como uma raça nacionalmente reconhecida. Estudos e análises de dados de competições pecuárias entre 2006 e 2015 têm demonstrado as excelentes características de crescimento e carcaça da raça, reforçando sua importância para a ovinocultura brasileira.
O Berganês representa um exemplo de sucesso na adaptação e desenvolvimento de uma raça ovina às condições desafiadoras do semiárido nordestino. Sua criação não apenas fortalece a economia local, mas também preserva e enriquece a cultura agropecuária tradicional da região. Com características produtivas superiores e adaptabilidade ao clima árido, o Berganês destaca-se como uma opção promissora para a ovinocultura nacional.
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