Grandes grupos empresariais aceleram investimentos no Cerrado piauiense, ampliam produção de grãos, bioenergia e transformam o estado em uma das regiões mais estratégicas do setor; Confira quem são os gigantes poderosos do agronegócio do Piauí
O avanço do agronegócio no Piauí deixou de ser promessa há alguns anos e passou a ocupar posição estratégica dentro do mapa produtivo brasileiro. Impulsionado pela expansão acelerada da fronteira agrícola do chamado Matopiba — região que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — o estado vem atraindo investimentos bilionários e consolidando municípios do sul piauiense entre os mais importantes polos de produção agrícola do país.
Com áreas cada vez mais tecnificadas e forte presença de grandes grupos empresariais, o Cerrado do Piauí se transformou em uma vitrine de produtividade em culturas como soja, milho, algodão, eucalipto, bioenergia e agricultura irrigada, reforçando a posição do estado como uma das regiões mais promissoras para expansão do agro brasileiro.
Os gigantes que impulsionam o agro bilionário no Piauí
Entre os grupos que lideram essa transformação, algumas empresas se destacam pelo tamanho das operações, faturamento bilionário e capacidade de expandir investimentos em larga escala.
Grupo Canel aposta em expansão industrial e diversificação
Um dos pioneiros dessa transformação foi o Grupo Canel, da família Bortolozzo, que iniciou operações no Piauí ainda em 1988. Com base em Uruçuí, o grupo estruturou um grande complexo agroindustrial focado em soja, milho, algodão e eucalipto.
Ao longo dos anos, a companhia expandiu os negócios para outros segmentos ligados ao agronegócio, incluindo beneficiamento de algodão, fabricação de ração, extrusão e avicultura, fortalecendo ainda mais sua presença no setor.
Gees ultrapassa R$ 2 bilhões em faturamento
Outra gigante que consolidou o Piauí como potência agrícola foi a Gees, antiga Risa. Fundada em Baixa Grande do Ribeiro, a companhia se tornou uma das maiores empresas do agronegócio do Nordeste.
Os números impressionam: depois de faturar R$ 1 bilhão em 2020, a empresa saltou para R$ 2,1 bilhões em receita em 2023, consolidando presença também no Maranhão e Pará.
Grupo Franciosi amplia aposta no algodão
O Grupo Franciosi, comandado por João Antônio Franciosi, também aparece entre os protagonistas do setor. Proprietário da Fazenda Confiança, em Baixa Grande do Ribeiro, o grupo se tornou referência nacional na produção de soja.
Nos últimos anos, a empresa ampliou fortemente os investimentos no algodão e somente em 2024 destinou mais de R$ 60 milhões para expansão da atividade, criando aproximadamente 300 empregos diretos.
Insolo foi negociado por R$ 1,8 bilhão
Entre as maiores operações agrícolas da região aparece o Grupo Insolo, controlado pelo empresário Ricardo Faria.
Em uma negociação que chamou atenção no setor, o conglomerado foi adquirido em 2022 por R$ 1,8 bilhão, envolvendo ativos no Piauí, Maranhão e Tocantins. Apenas no estado piauiense, a Fazenda Ipê soma mais de 46 mil hectares cultivados, enquanto a operação total ultrapassa 210 mil hectares.
Grupo Progresso lidera investimento bilionário em bioenergia
A Progresso Agroindustrial, fundada pela família Sanders, também integra a lista dos maiores nomes do agro piauiense.
Além de atuar em soja, milho, algodão, pecuária e reflorestamento com eucalipto, a companhia anunciou um dos maiores projetos industriais recentes da região: um investimento de R$ 1,18 bilhão, em parceria com a Brasil Bioenergia, para implantação de uma operação voltada à produção de etanol de milho e geração de bioenergia.
A empresa emprega atualmente mais de 700 trabalhadores em cinco grandes fazendas no estado.
O Piauí se consolida como nova potência do agro nacional
O crescimento dessas companhias mostra que o Piauí deixou de ser apenas uma fronteira agrícola em expansão para se tornar uma das regiões mais estratégicas do agronegócio brasileiro.
Com produção crescente, investimentos em tecnologia, expansão de áreas irrigadas, industrialização e geração de empregos, o estado vem assumindo papel cada vez mais relevante no cenário nacional, especialmente dentro do avanço do Matopiba, região que concentra parte importante do futuro da produção agrícola do país.
O movimento reforça uma tendência cada vez mais clara no setor: o novo ciclo de crescimento do agro brasileiro passa diretamente pelas novas fronteiras agrícolas do Nordeste.
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