Identificar o momento em que o custo do cocho supera o ganho de carcaça é vital para a rentabilidade; entenda como a eficiência biológica e as métricas financeiras definem o sucesso da terminação
Na pecuária de alta performance, a máxima “tempo é dinheiro” nunca foi tão literal. O sucesso de uma operação de terminação não depende de quanto tempo o animal permanece no cocho, mas sim da precisão em identificar o ponto ótimo de abate. Existe uma linha tênue entre a máxima deposição de carcaça e o início do prejuízo operacional, e atravessá-la sem critério técnico é um dos erros mais caros que o pecuarista pode cometer em 2026.
O conceito de ponto ótimo de abate refere-se ao exato momento em que o retorno financeiro gerado pelo ganho de peso diário se iguala ao custo total para manter o animal no sistema. A partir desse cruzamento de curvas, a eficiência biológica do bovino declina: ele passa a consumir mais energia para manter suas funções vitais e depositar gordura, resultando em uma conversão alimentar desfavorável e margens negativas.
O cálculo matemático por trás do ponto ótimo de abate
Para abandonar a “sensação de olho” e adotar uma gestão baseada em dados, o produtor deve monitorar a Margem Incremental Diária. Segundo especialistas do setor, o lucro real não está no peso bruto de saída, mas no resultado da seguinte equação:
Receita Incremental (R$/dia) = GPD (Ganho de Peso Diário) × Rendimento de Carcaça × Preço Líquido do kg.
Quando subtraímos o Custo Incremental Diário (que inclui a dieta, custos operacionais, sanidade e o custo de oportunidade do capital) dessa receita, encontramos a margem. O ponto ótimo de abate é o “break-even” (ponto de equilíbrio): se a margem diária for menor que zero, você está pagando para o boi morar na sua fazenda.
Por que segurar o animal no cocho pode destruir seu lucro?
À medida que o acabamento avança, a fisiologia do animal muda. A deposição de tecido muscular exige menos energia do que a deposição de gordura. Portanto, na reta final:
- O Ganho Médio Diário (GMD) tende a cair, pois o animal atinge seu limite de crescimento.
- A Ingestão de Matéria Seca (IMS) permanece alta ou sobe, mas a resposta em peso é menor.
- A Conversão Alimentar (CA) piora, elevando drasticamente o custo de cada arroba produzida.
Manter o gado além do ponto ótimo de abate gera o chamado “boi caro”: um animal pesado, visualmente bonito, mas que consumiu todo o lucro acumulado durante o período de maior eficiência.
Estratégias para identificar o momento certo por grupo
Um erro frequente é tratar o lote de forma homogênea. Em qualquer curral de confinamento, a desuniformidade é uma realidade. Decidir o abate pela média significa, invariavelmente, perder dinheiro com dois grupos: os animais precoces, que já passaram do ponto ótimo de abate, e os tardios, que ainda não expressaram todo seu potencial.
A recomendação técnica para maximizar a rentabilidade envolve:
- Apartação frequente: Dividir o lote por grau de acabamento.
- Monitoramento de cenários: O ponto ótimo de abate é volátil. Se o preço da arroba sobe, o ponto pode ser estendido; se o custo do milho dispara, ele é antecipado.
- Uso de tecnologia: Balanças eletrônicas e softwares de gestão que projetam a curva de GMD por fase (adaptação a acabamento).
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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