Produção de soja no Paraguai pode bater recorde e chegar a 11,53 milhões de toneladas

Safra principal é revisada para cima após produtividades acima da média; avanço da colheita e clima favorável reforçam expectativa de um dos maiores ciclos da história do país.

O Paraguai caminha para registrar uma das maiores safras de soja de sua história, consolidando-se cada vez mais como um dos principais players agrícolas da América do Sul. A estimativa da safra principal foi recentemente elevada de 9,65 milhões para 10,14 milhões de toneladas, refletindo o desempenho superior das lavouras nas principais regiões produtoras. Se a safrinha confirmar um volume próximo de 1,39 milhão de toneladas, o país poderá alcançar 11,53 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde nacional.

O cenário positivo começou a se desenhar ainda no início do verão, quando o regime de chuvas em dezembro favoreceu o desenvolvimento das plantas. Com o avanço da colheita em janeiro, os primeiros resultados de campo passaram a indicar rendimentos acima da média histórica, reforçando o otimismo do mercado.

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Segundo a analista de Inteligência de Mercado Larissa Barboza Alvarez, o fator determinante para a revisão foi o desempenho produtivo. “O principal destaque deste início de colheita tem sido o desempenho produtivo acima do esperado, o que nos levou a revisar para cima os rendimentos médios na maior parte dos departamentos produtores”, ressalta.

Produtividade elevada nos principais polos agrícolas

As revisões mais expressivas foram observadas justamente nas regiões que sustentam a produção paraguaia. No noroeste da Região Oriental, o departamento de Alto Paraná teve sua produtividade ajustada para 3,6 toneladas por hectare, enquanto Canindeyú atingiu 3,5 t/ha.

Já na faixa centro-sul, departamentos tradicionais como Caaguazú e Itapúa elevaram suas médias para 3,4 t/ha, consolidando um padrão produtivo robusto. Outros avanços também foram registrados em Guairá, Caazapá, San Pedro e Paraguarí, demonstrando que o bom desempenho não está restrito a uma única área, mas distribuído em grande parte do cinturão agrícola.

De acordo com os dados consolidados mais recentes, o Paraguai apresenta:

  • Área plantada: cerca de 3,039 milhões de hectares
  • Produtividade média: aproximadamente 3,34 t/ha
  • Produção estimada: 10,14 milhões de toneladas na safra principal
  • Variação anual: crescimento de 16,7%
  • Variação mensal: alta de 5,1%

Entre os departamentos, o destaque absoluto em volume segue com Alto Paraná, que pode se aproximar de 3 milhões de toneladas, seguido por Itapúa e Canindeyú, ambos acima de 1,8 milhão de toneladas.

Ritmo da colheita chama atenção

Outro ponto relevante nesta temporada é o comportamento da colheita. Até o fim de janeiro, entre 20% e 30% da área nacional já havia sido colhida, índice considerado consistente para o período.

No entanto, um movimento incomum foi observado: o avanço mais rápido ocorreu no norte da Região Oriental, enquanto o sul — que tradicionalmente lidera os trabalhos — apresentou atraso relativo.

“Em anos normais, o Sul lidera a colheita, mas, nesta safra, as condições climáticas prolongaram o ciclo vegetativo nessa região”, explica Larissa.

A expectativa do mercado é que o pico da colheita ocorra nas duas primeiras semanas de fevereiro, com a conclusão dos trabalhos prevista ainda para este mês.

Oferta elevada já pressiona os preços

Se por um lado o recorde reforça a capacidade produtiva do Paraguai, por outro amplia a preocupação com a formação de preços. O aumento da oferta começa a pressionar os prêmios de exportação.

Mesmo com a comercialização antecipada mantendo ritmo semelhante ao dos últimos três anos — 33,6% da produção já negociada —, os basis registraram queda significativa. Em Assunção, os valores recuaram de cerca de *USD -23 por tonelada, no início de dezembro, para patamares próximos de *USD -40 por tonelada desde meados de janeiro.

Esse movimento tende a ganhar força conforme a colheita avança não apenas no Paraguai, mas também nos países vizinhos.

América do Sul caminha para safra cheia

O cenário de ampla oferta regional ficou ainda mais evidente após a revisão da estimativa brasileira. No início de fevereiro, a StoneX elevou sua projeção para a safra 2025/26 do Brasil para 181,6 milhões de toneladas, reforçando a perspectiva de grande disponibilidade global.

“Com os ajustes observados no Paraguai e em outros países da América do Sul, o mercado caminha para um cenário de ampla oferta nos próximos meses, o que deve seguir influenciando as dinâmicas de preços”, conclui a analista.

Paraguai fortalece protagonismo no mapa da soja

O possível recorde reafirma a evolução tecnológica e o ganho de eficiência do campo paraguaio, que nos últimos anos ampliou área, investiu em genética e melhorou práticas agronômicas. Para analistas, o país segue consolidando sua posição estratégica no comércio internacional, especialmente pela competitividade logística e pela proximidade com grandes corredores de exportação.

Caso as projeções se confirmem, a safra atual não apenas marcará um novo teto produtivo, mas também poderá redefinir o papel do Paraguai no equilíbrio da oferta global — um fator que produtores, tradings e investidores acompanham com atenção.

Sobre a StoneX

A StoneX é uma empresa global de serviços financeiros com presença em mais de 80 escritórios e conexão com mais de 480 mil clientes em 180 países. No Brasil, atua em áreas como gestão de riscos, inteligência de mercado, corretagem, mercado de capitais, câmbio, fusões e aquisições, trading e consultoria em soluções sustentáveis.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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