Entrada precoce ou tardia dos animais pode comprometer o desenvolvimento do capim, reduzir o ganho de peso e gerar prejuízos; especialistas apontam os sinais técnicos que indicam a hora certa de liberar o gado na pastagem para o primeiro pastejo.
O manejo de pastagens é um dos pilares da pecuária eficiente — e poucas decisões são tão estratégicas quanto definir o momento correto para o primeiro pastejo. Essa escolha influencia diretamente a formação do capim, a longevidade da pastagem, a capacidade de suporte e, principalmente, o desempenho animal ao longo do ciclo produtivo.
Apesar de parecer uma etapa simples, liberar os animais antes da hora ou atrasar demais essa entrada pode resultar em perda de vigor das plantas, falhas na cobertura do solo e redução significativa da produtividade. Por isso, técnicos reforçam que o critério nunca deve ser baseado apenas no calendário, mas sim em indicadores agronômicos claros.
Por que o primeiro pastejo é tão importante?
Após a germinação ou rebrota — especialmente em áreas recém-formadas — o capim passa por uma fase crítica de estabelecimento. Nesse período, a planta direciona energia para o desenvolvimento das raízes, estrutura essencial para suportar cortes e pisoteio.
O primeiro pastejo funciona como um “ajuste fisiológico” da planta, estimulando o perfilhamento (formação de novos brotos) e favorecendo uma pastagem mais densa e uniforme. Quando bem executado, esse manejo ajuda a:
- Melhorar a arquitetura do capim
- Reduzir áreas descobertas
- Aumentar a resistência à seca
- Elevar o potencial de produção de forragem
Por outro lado, erros nessa etapa podem comprometer a área por anos.
O erro mais comum: a pressa
Um dos principais equívocos observados no campo é antecipar o pastejo para aproveitar o crescimento inicial do capim. O problema é que plantas ainda frágeis não possuem reservas suficientes para rebrotar com força após o consumo.
As consequências costumam aparecer rapidamente:
• raízes rasas
• maior risco de degradação
• invasão de plantas daninhas
• menor capacidade de suporte por hectare
Em casos mais severos, o produtor pode ser obrigado a reformar a pastagem antes do previsto — um custo alto e muitas vezes evitável.
Nem cedo, nem tarde: qual é o ponto ideal?
O melhor indicador para o primeiro pastejo é a estrutura da planta, não a idade da pastagem. Especialistas recomendam observar três critérios principais:
1. Altura do capim
Cada espécie possui uma faixa considerada segura para entrada dos animais. De forma geral:
- Braquiárias: entre 30 e 40 cm
- Panicuns (como Mombaça e Tanzânia): entre 70 e 90 cm
Essa altura indica que a planta já acumulou reservas e apresenta sistema radicular mais robusto.
2. Resistência ao arranquio
Um teste prático muito utilizado é puxar algumas touceiras com a mão.
Se a planta sair facilmente, ainda não está pronta. Se resistir, é sinal de bom enraizamento.
3. Presença de perfilhos
Pastos com vários brotos laterais demonstram que a planta respondeu bem ao crescimento inicial e tende a suportar melhor o pastejo.
A estratégia que muitos pecuaristas ignoram
Um manejo bastante eficiente — mas ainda subutilizado — é realizar o primeiro pastejo com alta lotação e curta duração.
A lógica é simples: os animais consomem o excesso de folhas superiores sem permanecer tempo suficiente para danificar a planta.
Esse método contribui para:
✔ uniformizar o pasto
✔ estimular novos perfilhos
✔ evitar sombreamento das folhas inferiores
✔ acelerar o fechamento da área
Após essa etapa, o ideal é retirar os animais e permitir um período adequado de recuperação.
Atenção ao clima e ao solo
Outro fator decisivo é a condição ambiental. Solos encharcados, por exemplo, aumentam o risco de compactação — problema que reduz a infiltração de água e limita o crescimento radicular.
Já em períodos de estiagem, mesmo que o capim tenha altura suficiente, pode faltar vigor para uma rebrota consistente. O segredo está na combinação entre estrutura da planta e condições do ambiente.
Impacto direto no bolso do produtor
Uma pastagem bem formada pode durar muitos anos com alta produtividade. Já áreas mal manejadas exigem reformas frequentes, elevando custos com sementes, preparo do solo e adubação.
Além disso, pastos equilibrados proporcionam:
- Maior ganho de peso por animal
- Melhor taxa de lotação
- Redução da necessidade de suplementação
- Mais previsibilidade produtiva
Em outras palavras: acertar o primeiro pastejo é uma decisão técnica que se transforma em resultado econômico.
O primeiro pastejo define o futuro da área
Mais do que um manejo pontual, essa etapa deve ser vista como um investimento na sustentabilidade da propriedade. O produtor que respeita o tempo da planta colhe uma pastagem mais produtiva, resiliente e rentável. No cenário atual da pecuária — cada vez mais pressionada por eficiência — detalhes técnicos como esse fazem toda a diferença.
Esperar o momento certo não é perder tempo. É garantir que cada hectare entregue o máximo do seu potencial.
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