Em termos reais o preço do leite pago ao produtor (os valores foram deflacionados pelo IPCA de outubro/23), o preço caiu 24,8% no acumulado de 2023 e expressivos 30,4% em um ano (de outubro/22 a outubro/23)
Acumulando seis quedas consecutivas, contrariando os dados históricos do setor, o preço do leite pago ao produtor rural agrava a crise vivida pelo setor leiteiro. A pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostra que o preço médio mensal do leite cru captado por laticínios em outubro teve queda real de 4,3% frente ao mês anterior, chegando a R$ 1,9675/litro na “Média Brasil” líquida.
Esse cenário, levou a sexta retração mensal consecutiva no valor pago ao produtor. Em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de outubro/23), o preço caiu 24,8% no acumulado de 2023 e expressivos 30,4% em um ano (de outubro/22 a outubro/23).
O movimento de queda, que se iniciou em maio deste ano, continua sendo explicado pela maior disponibilidade interna de lácteos – tanto pelo aumento da produção doméstica quanto pelo crescimento das importações. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea registrou alta de 1,4% de agosto para setembro.
Desde o início do ano, o avanço na captação chega a 8,4%. Ao mesmo tempo, dados da Secex mostram que, em outubro, as compras externas aumentaram 26,1% em relação ao mês anterior. No acumulado do ano, o volume importado soma 1,8 bilhão de litros em equivalente leite, expressivos 77,4% acima da quantidade do mesmo período de 2022.
A expectativa dos agentes de mercado é de que o movimento de queda siga perdendo força nos próximos meses. A perspectiva de agentes consultados pelo Cepea é de que o preço do leite captado em novembro fique estável na Média Brasil.
Algumas bacias leiteiras, contudo, podem até mesmo registrar valorização do leite, devido à menor captação, que, por sua vez, é prejudicada pelo clima adverso e pelo estreitamento da margem do pecuarista (que tende a diminuir os investimentos na atividade neste curto prazo).
Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de setembro/2023).

Com maior oferta de lácteos e consumo doméstico muito sensível ao preço, os estoques de derivados nas indústrias e canais de distribuição cresceram em setembro. Esse resultado foi repassado ao produtor em setembro – e a expectativa do setor é de que o cenário de queda ainda se mantenha para o preço do leite cru captado em outubro, ainda que em menor intensidade.

Custo da pecuária leiteira cai, mas receita recua com ainda mais força
O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira apresenta retração acumulada de 5,4% de janeiro a outubro de 2023 – considerando- -se a “Média Brasil”, que é formada pelas bacias leiteiras de BA, GO, MG, SC, SP, PR e RS. Os recuos, em boa parte do ano, nos valores de comercialização de importantes insumos, como rações, adubos, corretivos, e diesel, favoreceram a retração dos custos produtivos.
RELAÇÃO DE TROCA – Em setembro, o produtor de leite precisou de 26,6 litros de leite para a aquisição de uma saca de 60 kg de milho, 12,3% a mais do que em agosto. A desvalorização do leite no período e a alta no preço do milho influenciaram essa piora na relação de troca do pecuarista leiteiro. A relação de troca se aproximou da média dos últimos 12 meses, de 27,9 litros/saca.
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