Com o uso de suplementação luminosa LED e telas fotoseletivas, produtores brasileiros alcançam saltos de 67% na produtividade e reduzem ciclos de colheita em até 30%, transformando o manejo de luz no “novo adubo” do campo
O horizonte do agronegócio brasileiro está mudando de cor. O que antes eram campos verdes sob o sol, agora ganham tons de magenta e violeta durante a noite. As chamadas lavouras cor-de-rosa deixaram de ser um experimento de laboratório para se tornarem uma estratégia de larga escala. Dados recentes mostram que a suplementação luminosa não apenas aumenta a produtividade, mas redefine a velocidade de crescimento das plantas, permitindo colheitas recordes em tempos reduzidos.
De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), a iluminação LED projetada para eficiência fotossintética pode aumentar as taxas de crescimento das culturas em até 40% em comparação com a luz natural isolada. No Brasil, esse número é ainda mais agressivo em culturas específicas, chegando a quase 70% de ganho de biomassa.
O que explica a eficiência das lavouras cor-de-rosa?
A coloração rosada é o resultado técnico da combinação exata entre os comprimentos de onda azul (400-500 nm) e vermelho (600-700 nm). Enquanto a luz solar contém todo o espectro (incluindo o verde, que as plantas pouco utilizam), as lavouras cor-de-rosa focam apenas no que a clorofila realmente absorve.
Pesquisas da Esalq/USP demonstram que uma mistura de 70% de luz vermelha e 30% de luz azul é o “padrão ouro” para o desenvolvimento vegetal. Segundo o estudo, essa proporção acelera o desenvolvimento de mudas de morangueiro e outras rosáceas de forma significativamente superior à luz branca convencional. A luz vermelha atua no metabolismo de floração e produção de frutos, enquanto a azul garante a robustez estrutural e o controle do sistema radicular.
Impacto real: Da soja ao café conilon
A implementação de tecnologias de suplementação luminosa em lavouras cor-de-rosa já apresenta números consolidados no campo brasileiro:
- Soja: Testes realizados pelo Sistema FAEMG/INAES revelaram que o uso de “pivôs de luz” — barras de LED acopladas aos sistemas de irrigação — elevou a produção de soja em 57%. Em áreas de teste controladas, a produtividade saltou de 71 para 160 sacas por hectare, um aumento impressionante de 125%.
- Café: A empresa de eficiência energética Silicon reportou que a tecnologia LED reduziu o ciclo de inverno do café conilon em 30%, permitindo que o produtor mantenha o ritmo de crescimento mesmo em meses de baixa luminosidade.
- Hortaliças: Culturas como rúcula e alface apresentam ganhos de até 280% na massa radicular quando submetidas ao espectro otimizado, conforme dados divulgados pelo portal Agrolink.
O mercado global e a velocidade de crescimento das plantas
A adoção dessa tecnologia não é apenas uma tendência local. O mercado mundial de iluminação hortícola está em franca expansão. Estimativas da Business Research Insights indicam que o setor deve movimentar US$ 1,41 bilhão em 2026, com uma taxa de crescimento anual (CAGR) de 18,94% até 2034.
Países desenvolvidos já utilizam ambientes controlados (CEA) com LED para suprir mais de 12% da produção total de vegetais, segundo a FAO. O grande diferencial das lavouras cor-de-rosa em 2026 é a integração com a Inteligência Artificial, que ajusta a intensidade da luz em tempo real com base na umidade e na temperatura, maximizando a velocidade de crescimento das plantas com o menor custo energético possível.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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