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Plano Safra 2025/26 é, sem sobra de dúvidas, o maior desafio do Agro brasileiro em tempos de juros altos; O impacto da taxa Selic elevada pode gerar aumento nos custos de produção e afetar a inflação dos alimentos.
O Plano Safra 2025 está prestes a se tornar o mais caro da história recente do agronegócio brasileiro. A previsão é de que a taxa Selic atinja 15% ao ano em 2025, um nível não registrado desde 2006, o que coloca o setor em uma situação desafiadora. Essa elevação na taxa de juros pode gerar um efeito cascata, elevando os custos de financiamento e, consequentemente, os preços dos alimentos, impactando toda a cadeia produtiva.
A comentarista Kellen Severo, especialista no setor agropecuário, explicou no programa Hora H do Agro, da Jovem Pan, que esse aumento na Selic não só torna o crédito mais caro, como também afeta diretamente o financiamento do setor agrícola. “Com os juros elevados, o acesso ao crédito subsidiado – que é a única opção acessível para muitos produtores – se torna mais difícil, pois o governo enfrenta dificuldades para manter os juros baixos”, destacou Severo. Ela ainda completou: “O dinheiro com juro baixo, que historicamente ajudou o agro, está desaparecendo, e isso tem um efeito direto no bolso dos brasileiros.”
Juros altos e a escassez de crédito subsidiado no Plano Safra
Com a taxa Selic em patamares elevados, o governo tem enfrentado um grande desafio para oferecer as taxas de juros que os produtores precisam para financiar suas atividades. Kellen Severo alertou que, além do aumento da Selic, o governo terá dificuldades em equalizar as taxas subsidiadas, como fez em anos anteriores. “A escassez de dinheiro com juro baixo está tornando os financiamentos mais caros, o que, inevitavelmente, eleva os custos de produção no agro”, explicou. Ela ressaltou também que, em tempos de Selic mais baixa, o crédito privado no mercado estava mais acessível, mas agora, com juros ao redor de 20%, as alternativas para o setor são extremamente limitadas.
A projeção para o Plano Safra 2025 é preocupante, com custos de financiamento mais elevados, algo que não acontecia há quase 20 anos. Em 2006, a Selic alcançou 15,25%, e com a previsão de que o Plano Safra 2025 poderá ter um custo ainda maior, os produtores enfrentarão um cenário difícil. “Os agricultores brasileiros estão se preparando para um plano mais caro e, com isso, a produção pode ser mais limitada e os preços dos alimentos podem aumentar ainda mais”, destacou Severo.
O impacto da crise fiscal no agro
Outro fator que agrava o quadro é a recente suspensão de novos financiamentos do Plano Safra com subvenção federal pelo Tesouro Nacional, que, segundo Kellen Severo, ocorre devido ao aumento significativo dos gastos com a equalização das taxas de juros e à falta de aprovação do orçamento de 2025.
“Esse bloqueio de crédito, que já afeta pequenos produtores, pode se tornar um grande problema para o agronegócio como um todo”, afirmou Severo. Ela explicou que, com os juros altos e a escassez de recursos, muitos produtores se veem sem alternativas para financiar suas atividades, o que coloca em risco a oferta de alimentos no país.
O governo federal anunciou recentemente uma Medida Provisória (MP) para liberar R$ 4 bilhões para o crédito rural temporariamente. No entanto, como alertou Severo, essa é apenas uma solução paliativa e não resolve o problema estrutural do Plano Safra. “A curto prazo, pode aliviar a situação, mas precisamos de uma solução mais robusta e permanente para evitar que a crise se agrave”, afirmou a comentarista. Ela completou, ainda, que a alta dos custos de financiamento não atinge apenas os produtores, mas também o consumidor final, que pode ver os preços dos alimentos aumentarem.
A inflação dos alimentos e o papel do crédito
No cenário atual, os preços dos alimentos já estão elevados, o que tem pressionado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Kellen Severo fez um alerta sobre a relação entre a escassez de crédito e a inflação. “O crédito mais barato é essencial para garantir a produção de alimentos com custos mais baixos. Sem ele, a produção encarece e o preço do produto final sobe, o que afeta diretamente o bolso do consumidor”, destacou.
A alta da taxa Selic é apenas um dos fatores que contribuem para o aumento da inflação dos alimentos. As condições climáticas adversas, a demanda aquecida e a variação cambial também são fatores importantes. Márcio Sette Fortes, economista do Ibmec, destacou que o financiamento mais robusto poderia ser uma ferramenta eficaz para combater a inflação no futuro, mas alertou que ele não resolve todos os problemas. “É preciso considerar não apenas o crédito, mas também a adaptação do setor às mudanças climáticas e à volatilidade dos mercados internacionais”, afirmou Sette Fortes.
Alternativas para enfrentar o cenário
O agronegócio brasileiro já encontrou alternativas para reduzir a dependência do crédito oficial. Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, explicou que o setor se desenvolveu, criando fontes alternativas de financiamento. No entanto, ele destacou a importância de um seguro rural mais robusto. “As mudanças climáticas trazem desafios que vão além do financiamento. Um bom seguro rural pode ser a chave para garantir a produção, mesmo em tempos de adversidade climática”, afirmou Serigati.
O futuro do agro depende de decisões estruturais
O Plano Safra 2025 está marcado para ser um dos mais desafiadores da história recente do agronegócio brasileiro. O aumento da taxa Selic e a escassez de crédito subsidiado colocam em risco não só a produção agrícola, mas também a inflação dos alimentos, que já impacta o bolso dos brasileiros. Como destacou Kellen Severo, sem alternativas viáveis de crédito, o setor agropecuário terá dificuldades em se manter competitivo e em garantir alimentos mais acessíveis ao consumidor final. A solução passa por decisões estruturais, que precisam ser tomadas de forma urgente, para garantir que o agronegócio brasileiro continue a ser um dos pilares da economia nacional.
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