Em encontro na Sociedade Rural Brasileira, ministro André de Paula admite pressão do setor por crédito mais acessível e reconhece cenário “muito preocupante” no campo; Plano Safra deve sair no início de junho e governo prioriza juros em reunião com líderes do agro
O anúncio do novo Plano Safra 2026/27 pode ocorrer já no início de junho, segundo afirmou o ministro da Agricultura, André de Paula, após reunião com lideranças do agronegócio realizada nesta segunda-feira (4), na sede da Sociedade Rural Brasileira (SRB), em São Paulo.
O encontro reuniu representantes do setor produtivo em um momento considerado crítico para o agro brasileiro, com endividamento crescente, juros elevados e perda de capacidade financeira nas propriedades rurais. Durante a reunião, o ministro deixou claro que a principal preocupação do governo neste momento é garantir condições reais de acesso ao crédito.
“Se não houver soluções que deem acesso ao produtor rural, o esforço do Plano Safra perde o sentido”, sinalizou o ministro ao tratar da construção do programa.
Reunião com a SRB expõe tensão no crédito rural
Do lado do setor produtivo, o tom foi de alerta. O presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo, classificou o momento como “muito preocupante”, destacando que o encontro com o governo foi importante, mas evidenciou a gravidade da situação financeira no campo.
Segundo ele, o debate girou principalmente em torno de três pontos críticos:
- alto nível de endividamento dos produtores
- juros elevados nas operações de crédito
- queda da rentabilidade em função de preços internacionais pressionados
Além disso, a inadimplência crescente já começa a travar o acesso a novos financiamentos, o que pode comprometer diretamente o planejamento da próxima safra.
Plano Safra depende da Fazenda e da decisão final do governo
Apesar da sinalização de antecipação do anúncio, o próprio ministro reconheceu que o Plano Safra ainda depende de definições da equipe econômica. A construção do programa envolve negociações constantes com o Ministério da Fazenda, responsável por validar os recursos e as condições financeiras.
Na prática, isso significa que o desenho final do plano — principalmente os juros — ainda está em aberto, sendo um dos pontos mais sensíveis das discussões.
Setor pede mais de R$ 623 bilhões para o novo ciclo
Enquanto o governo ajusta os números, o agro já apresentou suas demandas. A expectativa das entidades do setor é de um Plano Safra com pelo menos R$ 623 bilhões em recursos, valor considerado necessário para sustentar a produção diante dos custos elevados e da necessidade de investimento.
Há, inclusive, a avaliação dentro do próprio governo de que o montante pode ser maior, dependendo da capacidade fiscal e das negociações políticas.
Desenrola rural entra na pauta, mas gera resistência
Outro tema discutido paralelamente à reunião foi o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo federal. A iniciativa inclui produtores rurais, especialmente os de menor porte, oferecendo condições facilitadas para reorganizar débitos.
Apesar disso, o programa é visto com cautela por parte do setor. Especialistas alertam que, embora ajude no curto prazo, a medida pode estimular um ciclo contínuo de endividamento, sobretudo em um segmento que não possui renda mensal fixa e depende diretamente do resultado das safras.
Um Plano Safra decisivo para a próxima safra
A reunião entre governo e setor produtivo deixou claro que o Plano Safra 2026/27 será construído sob forte pressão. De um lado, produtores pedem crédito mais barato e volume maior de recursos; do outro, o governo tenta equilibrar as contas públicas em um ambiente de juros ainda elevados.
O resultado desse embate deve definir não apenas o tamanho do plano, mas principalmente a capacidade do produtor de plantar, investir e manter a competitividade do agro brasileiro nos próximos meses.
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