A inauguração marca nova etapa de expansão nacional e, segundo a empresa, a unidade da Piracanjuba no Paraná coloca o país em outro patamar na produção de lácteos, reduz dependência de importações e abre uma nova fase para o agro leiteiro
O Brasil acaba de dar um passo decisivo rumo à industrialização de alto valor no setor lácteo. O Grupo Piracanjuba inaugurou uma das maiores fábricas de queijo do país, em São Jorge D’Oeste, com capacidade para processar impressionantes 1,2 milhão de litros de leite por dia — um volume que, sozinho, já reposiciona a companhia entre os principais players da indústria nacional.
Mais do que um investimento em escala, a nova unidade representa uma mudança estrutural na forma como o Brasil produz e transforma leite. Em um cenário em que o país ainda depende fortemente de insumos importados, especialmente no segmento de proteínas lácteas, o projeto surge como uma resposta direta a essa vulnerabilidade.
Na prática, a fábrica inicia suas operações com foco na produção de queijos e manteiga, ampliando a presença da marca em categorias consolidadas. No entanto, o que chama atenção é o desenho estratégico da planta: a estrutura foi pensada para evoluir rapidamente e incorporar produtos de maior valor agregado, como whey protein e lactose em pó — dois itens que hoje ainda chegam majoritariamente do exterior.
Esse ponto é central para entender o impacto do projeto. Atualmente, cerca de 54% do whey protein consumido no Brasil é importado, enquanto a lactose vinda de fora responde por aproximadamente 67% da demanda nacional. Ao internalizar essa produção, o grupo não apenas reduz a dependência externa, mas também cria uma nova dinâmica de valor dentro da cadeia do leite, beneficiando diretamente produtores e a indústria nacional.
Segundo o presidente da companhia, Luiz Claudio Lorenzo, a inauguração marca um novo momento estratégico. A empresa passa a investir em um modelo industrial mais completo, capaz de agregar valor, ganhar competitividade e reduzir a exposição às oscilações do mercado internacional.
O impacto não se limita à indústria da Piracanjuba. Com uma área construída de 54 mil metros quadrados, a nova planta já inicia as operações com cerca de 250 empregos diretos, com potencial de expansão nos próximos anos. Mais do que isso, a fábrica deve impulsionar toda a cadeia produtiva regional, aumentando a demanda por leite, movimentando fornecedores e fortalecendo o agronegócio no sudoeste do Paraná.

Viabilizado com apoio do Paraná Competitivo e financiamento do BNDES, o projeto também reflete o papel estratégico das políticas públicas no avanço da agroindústria brasileira.
Outro ponto relevante está na sustentabilidade. A unidade foi planejada com sistemas de reaproveitamento de água e uso de biogás como fonte energética, alinhando produtividade com eficiência ambiental — um fator cada vez mais determinante para a competitividade global do setor.
A inauguração ocorre em meio a um movimento mais amplo de expansão do grupo, que recentemente também avançou sobre o segmento de queijos premium com a aquisição da Básel Lácteos, em Antônio Carlos. A estratégia é clara: crescer em escala, mas principalmente em valor.
No fim das contas, o que está em jogo vai além de uma nova fábrica. O Brasil começa a dar sinais concretos de que quer deixar de ser apenas um grande produtor de leite para se tornar também um protagonista global na transformação industrial de lácteos.
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