Frente fria avança pelo Sul, ZCIT reforça instabilidade no Nordeste e combinação de calor e umidade aumenta risco de temporais severos no país, alerta Inmet
Uma nova onda de instabilidade atmosférica coloca grande parte do Brasil em alerta. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso laranja para chuvas intensas em áreas de 20 estados, com previsão de acumulados que podem chegar a 100 milímetros em 24 horas e rajadas de vento de até 100 km/h até esta sexta-feira (20). O nível laranja é o segundo mais grave na escala do órgão, indicando risco elevado de transtornos.
O cenário meteorológico é resultado de uma combinação de fatores. No Sul, a aproximação de uma nova frente fria reorganiza as áreas de instabilidade e favorece pancadas moderadas a fortes, especialmente no interior e oeste da região. No Nordeste, a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém a metade norte sob forte influência de umidade. Já no Centro-Oeste e Sudeste, o calor persistente somado à circulação de ventos em baixos níveis cria ambiente propício para temporais típicos de verão, alguns com potencial mais severo.
De acordo com o Inmet, as áreas sob alerta podem registrar volumes expressivos de chuva em curto intervalo de tempo, o que aumenta o risco de alagamentos, queda de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica e descargas atmosféricas. Em pontos isolados do Sul, não está descartada a ocorrência de granizo.
No Sul do país, o avanço da frente fria concentra a instabilidade sobre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente nas áreas de oeste, sudoeste e interior. Nessas regiões, os acumulados podem ser elevados, com rajadas de vento que variam entre 40 km/h e 50 km/h, podendo superar esse patamar em áreas específicas sob o alerta mais intenso. No campo, há preocupação com lavouras em fase de colheita e com estruturas rurais mais vulneráveis a ventos fortes.
No Sudeste, a chuva ganha força entre a tarde e a noite. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro podem registrar pancadas moderadas a fortes, com risco de temporais em áreas do interior paulista, Triângulo Mineiro, Zona da Mata e metade sul fluminense. Apesar do calor ainda predominante, a instabilidade tende a aumentar ao longo do dia, elevando o risco de transtornos localizados.
No Centro-Oeste, Goiás aparece como uma das áreas mais suscetíveis a temporais. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também devem enfrentar pancadas fortes, impulsionadas pelo calor e pela alta umidade. A presença de uma área de baixa pressão sobre o Paraguai contribui para intensificar as instabilidades, especialmente no sul de Mato Grosso do Sul.
No Nordeste, a ZCIT mantém o padrão de chuva mais abrangente sobre Maranhão, Piauí, Ceará e parte do Rio Grande do Norte, além de áreas do interior da Bahia. A instabilidade também se espalha por Pernambuco, Paraíba e Sergipe ao longo do dia. A sensação predominante é de tempo abafado, condição que favorece a formação de nuvens carregadas.
Na Região Norte, a grande disponibilidade de umidade mantém temporais ativos em áreas do Amazonas, Pará, Rondônia, Amapá e Roraima. Em alguns pontos, a chuva pode ser volumosa, o que preocupa regiões com histórico de elevação de rios e dificuldades logísticas.
Para o setor agropecuário, o alerta exige atenção redobrada. Acumulados próximos de 100 mm em 24 horas podem provocar saturação do solo, erosão e dificuldade nas operações de colheita. Rajadas mais intensas elevam o risco de danos em galpões, silos e sistemas de irrigação. A orientação é evitar atividades em campo durante tempestades e reforçar estruturas sempre que possível.
O Inmet recomenda que a população não se abrigue sob árvores durante rajadas de vento e, se possível, desligue aparelhos elétricos e o quadro geral de energia. Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Com a instabilidade se espalhando por praticamente todas as regiões do país, o acompanhamento constante da previsão do tempo se torna essencial, especialmente para produtores rurais e moradores de áreas mais vulneráveis a alagamentos e quedas de energia. A tendência é que o padrão de calor e umidade continue alimentando as tempestades ao longo da semana, mantendo o Brasil sob atenção.
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