Pecuarista cria o maior e mais agressivo gado do mundo, conheça a raça

Já pensou criar animais que superam dois metros de altura e pesam mais de 1,5 toneladas? Conheça a raça Chianina, sua origem histórica, características impressionantes e os desafios enfrentados por criadores na Itália.

Quando avistado de longe, o gado da raça Chianina pode parecer uma raça bovina comum. No entanto, ao chegar mais perto, fica evidente por que essa raça é conhecida como “o gigante branco”: touros que chegam a medir 2 metros de altura, pesar até 1,8 toneladas e produzir carne de alta qualidade. Ao mesmo tempo, a raça também carrega a fama de ser uma das mais agressivas do mundo, exigindo manejo cuidadoso por parte dos pecuaristas.

Nesse conteúdo, trazido com exclusividade pelo Portal do Compre Rural, com informações do The Fence Post, apresentamos a história do pecuarista que cria o maior e mais agressivo gado do mundo, a raça Chianina. Além disso, vamos contar sobre a origem da raça, características e outras informações. Confira a seguir!

Origem e evolução do gado Chianina

Originário da Itália, a raça Chianina tem uma história que remonta a mais de 2.200 anos. Inicialmente criado para trabalhos de tração, sua imensa estrutura física era utilizada para arar terras. Com o passar do tempo, a raça passou a ser valorizada pela produção de carne.

Com taxas de crescimento superiores a 2 quilos por dia e rendimento de carcaça entre 60% e 65%, o Chianina é referência em eficiência produtiva. Bezerros da raça nascem com cerca de 50 quilos e atingem o peso de abate ideal, de 650 quilos, aos 16-18 meses.

Chianina em fuga na Fazenda Isola

A criação moderna: Fazenda Agricola Collivecchi

Um exemplo do manejo do gado Chianina é a Fazenda Agricola Collivecchi, localizada na região da Úmbria, na Itália. Administrada pelos irmãos Daniele e Dario Mecarelli, a propriedade combina tradição e inovação em seus 440 hectares, que incluem áreas de pastagem, cultivo de trufas, oliveiras e produção de carne bovina.

Daniele Mecarelli administra 70 gados Chianina em sua fazenda na região de Umbria, na Itália. Foto de Chris McCullough
Chianina

Atualmente, o rebanho da fazenda conta com 70 cabeças de gado, sendo 31 vacas, 12 novilhas, 24 animais para engorda, duas novilhas jovens e um touro. A fazenda também integra atividades turísticas, como uma pousada e restaurante, que geram 50% da renda familiar.

Daniele Mecarelli explica que a raça é extremamente resistente e adaptável: “O gado Chianina é excelente para pastagens ao ar livre, tolera bem o calor – temperatura da região é diferente das médias no Brasil – e tem alta resistência a doenças e insetos. Porém, é uma raça agressiva, o que exige um manejo atento, especialmente durante a reprodução.”

É uma raça agressiva, o que exige um manejo atento, especialmente durante a reprodução, destaca Daniele Mecarelli, criador da raça

Daniele diz que o gado Chianina é uma boa mãe, produzindo um bezerro pesando cerca de 50 quilos. Foto de Chris McCullough

Carne de qualidade e valorização no mercado

A carne do Chianina é reconhecida por sua alta marmorização, suculência e valores nutricionais. Protegida pelo selo DOP (Denominação de Origem Protegida), ela é comercializada em 18 cortes principais, marcados pelo símbolo 5R do Consorzio Produttori Carne Bovina Pregiata delle Razze Italiane.

O preço médio é de 6,2 euros (ou R$ 39,81) por quilo para machos e 7,1 euros (ou R$ 45,59) por quilo para fêmeas, com valores mais elevados sendo alcançados em vendas diretas ao consumidor. Segundo Daniele, eliminar intermediários tem sido uma estratégia eficiente para melhorar a lucratividade, especialmente em um cenário de aumento nos custos de produção.

A carne do gado Chianina contém alto teor de gordura marmorizada e é muito nutritiva. Daniele mata parte do seu próprio gado para usar no restaurante da fazenda. Foto de Chris McCullough

A alimentação dos animais é cuidadosamente planejada, composta por uma ração local com 40% de milho, 20% de cevada, 20% de triticale, 5% de soja e outros minerais. Apesar de autossuficiente em feno, a fazenda enfrentou desafios recentes com secas que impactaram a produção.

Daniele mantém a maior parte do gado ao ar livre durante todo o ano, mas alimenta com feno como forragem suplementar quando necessário. Foto de Chris McCullough

Desafios do manejo e reprodução

Um dos maiores desafios na criação do Chianina é sua natureza agressiva. Para lidar com isso, os irmãos Mecarelli adotam critérios rigorosos na seleção genética, priorizando touros de temperamento mais calmo. Eles consultam um livro certificado de genética, que ajuda a identificar linhagens adequadas para cruzamento.

Os touros, que custam entre 4.000 e 8.000 euros (cerca de R$ 51.373,60), desempenham um papel essencial no manejo reprodutivo. Daniele ressalta que a longevidade da raça é uma vantagem econômica, com vacas reprodutoras sendo mantidas até os 18 anos.

Além disso, todos os animais são vacinados preventivamente contra parasitas e outras doenças. Daniele afirma que o subsídio de 150 euros por hectare da União Europeia é crucial para manter a viabilidade econômica da fazenda, especialmente diante de custos inflacionados.

Perspectivas para o futuro da raça Chianina

Apesar de sua agressividade, o gado Chianina permanece como uma das raças mais valorizadas da Itália. Sua resistência, eficiência produtiva e qualidade da carne continuam a atrair criadores dedicados, como os irmãos Mecarelli. Combinando práticas tradicionais e inovação tecnológica, a criação de Chianina se consolida como um exemplo de excelência na pecuária mundial.

Seja pelo tamanho impressionante, pela carne de alta qualidade ou pelos desafios de manejo, o Chianina segue fascinando produtores e consumidores ao redor do mundo. O gigante branco da pecuária italiana continua sua trajetória de destaque, unindo história, tradição e inovação no campo.

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