Autoridades mexicanas intensificam medidas sanitárias para conter a bicheira que ameaça exportações e pode gerar prejuízos milionários.
O México voltou a ligar o sinal de alerta no setor pecuário. Um novo caso de bicheira do Novo Mundo (Cochliomyia hominivorax) foi confirmado no estado de Nuevo León, região que faz fronteira com os Estados Unidos. O episódio, registrado na cidade de Sabinas Hidalgo, marca o ponto mais próximo da fronteira afetado desde o início do surto em 2023, acendendo preocupações bilaterais.
O animal infectado em Nuevo León era proveniente de Veracruz, no Golfo do México — o mesmo estado onde, em julho, havia sido detectado o último foco da doença. Na época, os EUA suspenderam as importações de gado mexicano vivo, medida que ainda permanece em vigor.
Segundo o Serviço Nacional de Saúde para Segurança Alimentar e Qualidade dos Alimentos do México (Senasica), o país já contabiliza mais de 500 casos ativos em bovinos nos estados do sul. Para conter a disseminação, o governo mexicano reativou protocolos de emergência sanitária, incluindo quarentena e fiscalização intensiva do transporte de animais.
A suspensão das compras por parte de Washington representa um duro golpe para a pecuária mexicana. Estimativas da Federação Pecuária Nacional indicam que, caso a restrição se prolongue até o fim do ano, as perdas podem alcançar US$ 400 milhões. O bloqueio agrava um cenário já desafiador, em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos, que também envolvem ameaças tarifárias impostas pelo governo Trump. A paralisação das exportações atinge não apenas bovinos, mas também bisões e cavalos, ampliando os prejuízos.
A bicheira é provocada pela larva da mosca Cochliomyia hominivorax, que ataca animais de sangue quente, incluindo humanos. O parasita se desenvolve em feridas abertas, podendo causar danos graves e até a morte do hospedeiro se não houver tratamento rápido. O risco de avanço da praga para áreas livres preocupa autoridades sanitárias internacionais, especialmente os EUA, que mantêm rígidos protocolos de defesa agropecuária.
O secretário de Agricultura do México, Julio Berdegué, afirmou em publicação no X (antigo Twitter) que o caso de Nuevo León está sendo tratado como “isolado” e que o governo segue aplicando as medidas conjuntas estabelecidas com os EUA em agosto.Já a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, adotou tom mais duro, afirmando que Washington continuará a agir de forma independente caso julgue necessário:
“Não dependeremos do México para defender nossa indústria, nosso suprimento de alimentos ou nosso modo de vida.”
Segundo Rollins, o bloqueio às importações permanecerá até que se comprove controle total do surto. Embora México e EUA tenham acordado protocolos conjuntos, o episódio revela tensões na confiança mútua. Enquanto o México busca minimizar impactos econômicos, os EUA insistem em manter o bloqueio preventivo. Para os pecuaristas mexicanos, a pressão aumenta, já que além do risco sanitário, a competitividade internacional fica ameaçada em um mercado que depende fortemente da exportação.
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