Descubra por que a abundância de capim não garante ganho de peso e como a suplementação de gado nas águas é a estratégia definitiva para corrigir carências nutricionais, acelerar o abate e maximizar a lucratividade da sua fazenda
Muitos pecuaristas cometem o erro clássico de acreditar que a abundância de capim verde e suculento é o único ingrediente necessário para o sucesso da recria e terminação. No entanto, a ciência zootécnica é clara: para garantir que o animal atinja seu potencial máximo, a suplementação de gado nas águas é o divisor de águas entre o lucro extraordinário e a estagnação produtiva.
Embora o pasto no período chuvoso apresente altos níveis de proteína bruta, ele carece de energia e minerais específicos que impedem o “boi de papel” de se tornar um campeão de carcaça.
Por que o pasto verde exige a suplementação de gado nas águas?
A ilusão do pasto farto esconde um desafio metabólico. Durante as águas, o capim possui uma alta taxa de passagem e um teor de umidade que pode chegar a 80%. Isso significa que o animal atinge a saciedade física (enchimento do rúmen) antes de consumir a quantidade necessária de matéria seca para converter em ganho de peso acelerado. Sem a correta suplementação de gado nas águas, o animal pode apresentar o que especialistas chamam de “diarreia de broto”, perdendo nutrientes essenciais antes mesmo da absorção.
De acordo com estudos da Embrapa Gado de Corte, animais mantidos apenas no pasto sem suplementação mineral adequada durante o período chuvoso deixam de ganhar, em média, entre 200g e 300g por dia em comparação com lotes suplementados. Em um ciclo de 150 dias de águas, essa diferença pode representar quase duas arrobas de prejuízo por animal.
Estratégias de suplementação de gado nas águas para ganho de peso real
Para “explodir em peso”, o produtor deve focar em duas frentes principais: a correção mineral e o aporte proteico-energético. Pesquisas internacionais, como as publicadas pelo Journal of Animal Science, reforçam que o fornecimento de nitrogênio não proteico (ureia) e fontes de energia (milho ou sorgo) otimiza a flora ruminal, permitindo que o gado aproveite melhor a fibra do capim.
- Sal Mineral Aditivado: O uso de ionóforos e virginiamicina ajuda na eficiência alimentar, reduzindo a produção de metano e focando a energia no ganho de massa muscular.
- Suplementos Proteolíticos: Essenciais para equilibrar o excesso de proteína degradável no rúmen (PDR) típica das gramíneas tropicais nas águas.
- Manejo de Pastagem: A suplementação só atinge seu ápice se houver oferta de massa. O ajuste de carga animal por hectare é crucial para o sucesso da estratégia.
O impacto econômico da suplementação de gado nas águas no bolso do produtor
O investimento em suplementação de gado nas águas costuma ser pago com folga pelo encurtamento do ciclo de produção. Um animal que ganha 1,0 kg/dia com suplementação chega ao abate meses antes do que aquele que ganha apenas 0,600 kg/dia apenas no pasto.
Segundo dados do CEPEA/USP, a otimização da dieta nas águas permite que o pecuarista aproveite as melhores janelas de preço da arroba, evitando a desvalorização comum na entrada da entressafra. O segredo não está em gastar menos, mas em investir na conversão alimentar mais eficiente.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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