Parasita silencioso pode causar danos graves ao desenvolvimento dos potros

Parasita que ataca potros ainda nos primeiros meses de vida compromete o desenvolvimento, provoca danos internos severos e pode causar perdas irreversíveis na criação de cavalos.

O desenvolvimento saudável de um potro depende de uma série de fatores, como nutrição, manejo e sanidade. No entanto, um dos maiores desafios enfrentados nos primeiros meses de vida desses animais está relacionado às verminoses — especialmente a causada pelo Parascaris equorum, um parasita silencioso, mas altamente impactante na criação de equinos.

Presente em propriedades de todo o mundo, esse verme intestinal é considerado um dos principais problemas sanitários em potros, justamente por atacar animais ainda com sistema imunológico imaturo. Sem controle adequado, pode comprometer seriamente o crescimento, a saúde e o desempenho futuro dos equinos.

O Parascaris equorum é um nematódeo (verme redondo) que se instala no intestino delgado dos equinos, especialmente em potros. Ele pode atingir grandes dimensões, chegando a mais de 30 cm de comprimento, sendo facilmente identificado em infestações mais intensas.

A infecção ocorre quando o animal ingere ovos presentes no ambiente — principalmente em pastagens contaminadas com fezes. Após a ingestão, as larvas passam por um ciclo complexo dentro do organismo, migrando por órgãos como fígado e pulmões antes de retornarem ao intestino para se tornarem vermes adultos.

Esse ciclo interno aumenta o impacto da doença, pois não afeta apenas o sistema digestivo, mas também o respiratório.

Os potros são os mais vulneráveis ao parasita, especialmente até os 6 meses de idade. Isso ocorre porque ainda não desenvolveram imunidade suficiente para combater a infestação.

Além disso, comportamentos naturais dessa fase, como explorar o ambiente e ingerir material do solo, aumentam o risco de contaminação.

Na prática, isso significa que praticamente todo potro exposto a ambientes contaminados pode ser infectado.

Os danos causados pelo Parascaris equorum vão muito além de uma simples verminose. O parasita compete diretamente por nutrientes com o animal, prejudicando seu crescimento e desenvolvimento corporal.

Entre os principais efeitos observados estão:

  • Atraso no crescimento e baixo ganho de peso
  • Abdômen distendido (barriga inchada)
  • Pelagem opaca e sem brilho
  • Fraqueza e queda no desempenho
  • Tosse e problemas respiratórios durante a fase larval

Em casos mais graves, pode ocorrer obstrução intestinal, cólicas severas e até ruptura do intestino, levando o animal à morte.

Além dos impactos diretos na saúde dos animais, o Parascaris equorum também gera prejuízos significativos para criadores. Potros que não se desenvolvem adequadamente tendem a apresentar menor valor comercial, desempenho inferior em atividades esportivas e menor eficiência produtiva ao longo da vida.

Ou seja, trata-se de um problema sanitário que afeta diretamente a rentabilidade da criação.

A identificação da parasitose pode ser feita por meio de exames laboratoriais, principalmente pela análise de fezes em busca de ovos do parasita.

No dia a dia, alguns sinais devem acender o alerta:

  • Potro com crescimento abaixo do esperado
  • Aparência debilitada ou emagrecida
  • Episódios frequentes de cólica
  • Tosse persistente em animais jovens

Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de evitar complicações graves.

O controle do Parascaris equorum depende de um conjunto de medidas sanitárias e de manejo. Entre as principais estratégias estão:

  • Vermifugação estratégica, iniciando ainda nas primeiras semanas de vida
  • Rotação de pastagens e controle de contaminação ambiental
  • Limpeza frequente de baias e áreas de manejo
  • Acompanhamento veterinário regular

O uso correto de vermífugos é essencial, já que esse parasita pode apresentar resistência a determinados medicamentos, exigindo protocolos bem definidos.

Apesar de ser um dos principais parasitas que afetam potros, o Parascaris equorum pode ser controlado com manejo adequado e atenção constante à sanidade do rebanho.

Ignorar esse problema pode comprometer toda a base produtiva de uma criação, já que os primeiros meses de vida são decisivos para o desempenho futuro dos equinos.

Por outro lado, quando bem manejado, o risco é reduzido — garantindo animais mais saudáveis, produtivos e valorizados no mercado.

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