Ibama e PF barram o envio ilegal de cactos e sementes em Guarulhos. Turistas escondiam flora do Pampa em latas e sapatos. Veja os detalhes da operação
Em uma demonstração de rigor na fiscalização do patrimônio genético nacional, uma força-tarefa desarticulou uma tentativa de biopirataria no Aeroporto Internacional de Guarulhos nesta quarta-feira (26). A ação conjunta, que envolveu o Ibama e a Polícia Federal, conseguiu impedir o envio ilegal de cactos e sementes nativas para o exterior, interceptando quatro turistas de nacionalidade tcheca que transportavam material botânico sem qualquer autorização legal.
A operação é o resultado de um esforço de inteligência internacional, unindo o ICMBio a órgãos estrangeiros, como o Grupo de Resposta e Inteligência Aduaneira do Uruguai (Gria) e a Polícia Nacional uruguaia. O cerco montado pelas autoridades reforça o compromisso do Brasil em frear a saída clandestina de espécies raras, especialmente aquelas extraídas do bioma Pampa.
Estratégias de ocultação
Durante a inspeção das bagagens, os agentes se depararam com um cenário de crime ambiental sofisticado. Foram encontrados mais de 100 cactos e cerca de duas mil sementes, todos procedentes do Rio Grande do Sul. Para tentar burlar o raio-x e a fiscalização, os viajantes utilizaram métodos inusitados de ocultação.
O envio ilegal de cactos e sementes era operado através de:
- Latas de bebidas seladas que escondiam plantas vivas;
- Interior de calçados e sapatos usados;
- Diversos sacos de papel camuflados entre vestimentas pessoais.
De acordo com as autoridades ambientais, o transporte irregular dessas espécies não é apenas uma infração administrativa, mas um crime contra o patrimônio natural brasileiro, passível de severas sanções penais.
Proteção internacional e o risco de extinção
A gravidade do episódio aumenta quando analisada a classificação das espécies apreendidas. A família Cactaceae é protegida globalmente pela Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção). Enquanto a maioria das espécies está no Anexo II, o que exige controle rigoroso de comércio, outras figuram no Anexo I, reservado para plantas sob iminente risco de desaparecerem da natureza.
Para o setor de agronegócio e meio ambiente, a exportação dessas plantas só é permitida mediante licenças específicas emitidas pela autoridade ambiental nacional, que atesta que a retirada não compromete a sobrevivência da espécie em seu habitat.
Bioma Pampa: o alvo do envio ilegal de cactos e sementes
O Brasil detém um dos maiores acervos genéticos de cactáceas do mundo, ocupando o terceiro lugar global em biodiversidade desta família. O foco da biopirataria, neste caso, foi o Rio Grande do Sul, estado que concentra 30% das espécies brasileiras (aproximadamente 70 tipos registrados).
O impacto ambiental é devastador: dados técnicos indicam que 52 espécies gaúchas estão classificadas como ameaçadas de extinção. Destas, 12 são exclusivas (endêmicas) do Pampa e outras 14 ocorrem apenas na zona fronteiriça entre Brasil e Uruguai. A interrupção deste fluxo ilícito é vital para manter o equilíbrio ecológico e a soberania sobre os recursos naturais do país.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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