Ação conjunta entre Seapi e Ministério da Agricultura já inspecionou 522 propriedades no município de Palmitinho. Medida de emergência busca frear a disseminação do HLB e blindar os pomares gaúchos
Para conter o avanço da maior ameaça à citricultura mundial, uma força-tarefa governamental entrou em ação emergencial no interior gaúcho. Após a detecção inédita da doença de Huanglongbing (HLB) no início de junho, autoridades agrícolas deflagraram uma varredura rigorosa que já inspecionou centenas de propriedades e resultou na destruição de mais de duas centenas de plantas com greening no Rio Grande do Sul.
O epicentro do surto e base das operações é o município de Palmitinho, localizado na região do Médio Alto Uruguai.
O cerco contra as plantas com greening em áreas urbanas
Na última quinta-feira (18/6), o detalhamento dessa força-tarefa foi apresentado na Assembleia Legislativa do Estado. Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi (Secretaria da Agricultura), explicou aos parlamentares da Comissão de Agricultura que as táticas seguem estritamente o manual federal de contingência. O alvo principal é eliminar os focos da bactéria e neutralizar seu vetor, o inseto Diaphorina citri.
Durante as vistorias, as equipes de campo constataram uma peculiaridade que alterou a rota de ação: a alta prevalência de árvores doentes dentro dos limites da cidade. “Como vimos muitas plantas cítricas nos pátios das residências, optamos por ampliar o monitoramento na área urbana e, nas próximas semanas, faremos novas prospecções na área rural”, relatou Felicetti, sinalizando inclusive que cidades vizinhas logo entrarão no radar da vigilância.
Zonas de risco: o balanço das erradicações
O mapeamento sanitário foi dividido em dois perímetros de segurança ao redor da primeira propriedade infectada. Na área de risco máximo, correspondente a um raio de 500 metros, os trabalhos já foram dados como concluídos. O saldo dessa etapa revelou:
- 42 imóveis fiscalizados;
- 178 árvores arrancadas compulsoriamente;
- 217 pés de citros assintomáticos inspecionados;
- 100 coletas de amostras enviadas para laudo laboratorial.
Simultaneamente, a segunda frente de trabalho avança em um raio mais amplo, de 2,4 quilômetros, e já se aproxima da reta final. Nessa zona expandida, o volume de imóveis visitados saltou para 480. Os fiscais identificaram 13 lotes comprometidos, o que exigiu o corte de mais 23 árvores e a extração de 70 amostras para análise. Somadas as duas frentes, a operação atinge a marca de 522 propriedades vistoriadas e 201 erradicações.
Prevenção contínua para evitar novas plantas com greening
Apesar do ineditismo do alerta fitossanitário no estado, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) descarta a necessidade de pânico por parte dos produtores. José Cleber Dias de Souza, superintendente estadual do órgão, garantiu que as ações conjuntas entre Estado e União têm surtido o efeito de bloqueio desejado.
“Temos estrutura e pessoal trabalhando na contenção da doença. O Ministério mantém convênios e ações conjuntas com a Seapi para fortalecer a defesa sanitária vegetal do Estado, e todos os protocolos estão sendo seguidos de forma sistemática”, tranquilizou o superintendente.
Vale ressaltar que o HLB é uma enfermidade devastadora que não possui cura conhecida. A patologia afeta diretamente o desenvolvimento da planta, derrubando a qualidade dos frutos e causando a morte gradual dos pomares. Por isso, a eliminação sumária dos focos continua sendo a única tática comprovada para salvaguardar a economia agrícola e o futuro da produção de citros no Rio Grande do Sul.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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