Onça-pintada vs. Onça-parda: Qual delas representa o maior risco para os bezerros?

No duelo Onça-pintada vs. Onça-parda, quem perde é o pecuarista que não sabe identificar o inimigo: entenda por que a agilidade da suçuarana pode ser mais letal para a bezerrada do que a mordida da rainha do Pantanal

O prejuízo na base da produção é um dos maiores temores de quem vive da cria e recria. Quando um animal aparece morto no fundo do pasto, a primeira reação do pecuarista é buscar o culpado para evitar que o ataque se repita. No duelo Onça-pintada vs. Onça-parda, a identificação correta do predador é o que define se a estratégia de defesa será eficiente ou um desperdício de recurso.

Embora a imponência da pintada gere mais temor, o comportamento oportunista da parda costuma ser o verdadeiro vilão silencioso da taxa de desmame em diversas regiões do Brasil.

Onça-pintada vs. Onça-parda na técnica de abate

A principal diferença entre esses dois felinos não está apenas na pelagem, mas na biomecânica da mordida. A onça-pintada (Panthera onca) possui a mordida mais forte do mundo entre os felinos, proporcionalmente ao seu tamanho. Sua técnica de abate é brutal e direta: ela perfura o osso parietal (crânio) da presa ou quebra as vértebras cervicais. Se o produtor encontrar um animal com furos no crânio ou sinais de que foi arrastado por longas distâncias (até para dentro d’água), o diagnóstico é claro.

Já na comparação Onça-pintada vs. Onça-parda, a suçuarana (Puma concolor) joga no erro da presa. Sem a força bruta para esmagar ossos de grandes bovinos, ela foca na asfixia. A parda ataca a garganta ou a nuca, segurando até que o animal sufoque. Ela é a maior ameaça aos bezerros de até 6 meses porque esse é o “tamanho ideal” para seu manejo. Enquanto a pintada pode encarar uma vaca adulta, a parda raramente se arrisca contra animais grandes, tornando o rebanho jovem seu alvo preferencial.

A estatística do prejuízo no campo

Pesquisas realizadas pela Embrapa Pantanal e pelo Instituto Pró-Carnívoros mostram um dado que surpreende muitos produtores: a onça-parda é responsável por uma frequência de ataques significativamente maior do que a pintada em áreas de transição e mata degradada. Isso ocorre porque a parda é extremamente adaptável, conseguindo sobreviver em fragmentos de floresta próximos a canaviais e pastagens limpas.

  • Frequência de ataques: Em estudos de caso no Mato Grosso do Sul, a onça-parda foi apontada como responsável por até 65% das ocorrências de predação em bezerros recém-nascidos.
  • Aproveitamento da carcaça: No embate Onça-pintada vs. Onça-parda, a parda tem o hábito de esconder sua refeição. Ela cobre o bezerro morto com terra, folhas e galhos para voltar e comer nos dias seguintes. A pintada, por ser o topo da cadeia, raramente esconde a presa, alimentando-se de forma mais exposta.

Onde o risco aumenta?

A geografia da fazenda dita quem ganha o duelo Onça-pintada vs. Onça-parda. A onça-pintada é dependente de água e mata fechada. Fazendas com grandes reservas legais e beiras de rios preservadas são seu território. Já a parda é a “onça do cerrado” por excelência, mas habita desde o pampa até a caatinga.

O risco para os bezerros aumenta drasticamente em pastos de maternidade situados próximos a capões de mato ou serras. Se o produtor negligencia a proximidade da mata no momento do parto, ele está oferecendo um “buffet livre” para a onça-parda, que vigia o rebanho à espera de uma oportunidade de isolar a cria da mãe.

Como proteger o lucro da porteira para dentro?

Para o Compre Rural, a análise é pragmática: o maior risco para o caixa da fazenda costuma vir da onça-parda devido à sua onipresença e foco em animais jovens. No entanto, o ataque da pintada, quando ocorre, é mais devastador pelo valor do animal abatido (muitas vezes matrizes ou reprodutores).

As soluções modernas de manejo incluem:

  1. Cercas elétricas de alta voltagem: Eficazes contra ambos, mas exigem manutenção constante.
  2. Luzes de presença (FoxLights): Sensores que emitem flashes aleatórios, simulando a presença humana e espantando a parda, que é mais arisca.
  3. Uso de búfalos ou jumentos: Estes animais têm instinto de proteção e enfrentam os felinos, servindo como “guarda-costas” dos bezerros.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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