O confinamento de bovinos, em função da densidade por ha, produz muito dejeto em um espaço menor – diferente do pasto, onde há distribuição no meio e o aproveitamento diretamente pelo sistema.
A produção de bovinos em sistemas de confinamento tem crescido no Brasil. É uma ótima opção para o “período seco” do ano, quando as pastagens perdem vigor e o ganho de peso cai. O confinamento de bovinos, em função da densidade por ha, produz muito dejeto em um espaço menor – diferente do pasto, onde há distribuição no meio e o aproveitamento diretamente pelo sistema.
Os dejetos (fezes, urina, água de descarte dos bebedouros, água de higienização e resíduos de ração), quando bem manejados, contribuem com o equilíbrio do meio ambiente, podendo gerar energia, insumos para a produção vegetal e outros fins.
O dejeto de confinamento tem alta carga orgânica e, se descartados incorretamente, podem contaminar lagos e rios, o lençol freático e estimular o desenvolvimento de moscas.
Além disso, quando lançados na água, servem de alimento para bactérias decompositoras, que se reproduzem muito rápido, respiram e consomem o oxigênio dissolvido na água, causando a morte dos peixes e poluindo a água.
Nesse contexto, a compostagem e a biodigestão são uma solução e estratégia racional para a economia circular do negócio.
Mas afinal, o que é a compostagem de resíduos?
A compostagem é um método aeróbico de reciclagem e tratamento dos resíduos orgânicos que reproduz condições ideais observadas no processo natural de degradação da matéria orgânica, e é seguro. Uma boa compostagem exige controle de fatores-chave, como umidade, temperatura, aeração (nível de oxigênio) e balanço de nutrientes (carbono e nitrogênio).
O controle destes fatores favorece os macroorganismos e microrganismos, que atuam na degradação da matéria orgânica, garantindo a eliminação dos patógenos, vetores de doenças.
Ao final do processo, os resíduos perdem volume, transformando-se em um material de cor escura, textura homogênea e cheiro de terra, chamado de composto orgânico, que pode ser aplicado diretamente no solo.
Na pecuária, o esterco bovino é formado por uma mistura de alimentos não digeridos e metabolitos parcialmente digeridos. Substâncias que possuem muito carbono lábil, aquele cuja estrutura é facilmente quebrada pelos microrganismos.
No solo, o esterco fresco é digerido pela microbiota. Ocorrerá, em um processo natural, aumento dos microrganismos, em função da presença do esterco fresco, fonte de alimento.
Como resposta do aumento populacional, a demanda por oxigênio também aumenta, já que os microrganismos são aeróbicos, assim como a temperatura do solo também aumenta, consequência do metabolismo aeróbico, que gera calor e o libera para o meio.
Os dejetos são colocados em leiras e passam pelo processo de compostagem, que dura de 120 a 130 dias.
Em experimento conduzido por Orrico et al. (2012), avaliou-se a produção de sólidos totais após a compostagem em duas dietas diferentes em confinamento (tabela 1).
Tabela 1. Teores (g/kg de sólidos totais) de macro e micronutrientes no início e ao final do período de compostagem dos dejetos produzidos por bovinos alimentados com dietas em duas relações volumoso: concentrado.

O dejeto tratado possui concentrações interessantes de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), podendo ser comercializado ou utilizado em pastagem/lavouras, diminuindo o custo com fertilizantes inorgânicos.
A compostagem é uma das opções para tratamento de dejetos. O tratamento de dejetos tem sido rotina do agronegócio brasileiro.
O plano safra 2023/24 teve linhas de crédito para produtores cujos sistemas de produção sejam ambientalmente sustentáveis. As taxas de juros de custeio caíram 0,5 ponto percentual para sistemas que tratam dejetos.
Sustentabilidade e produção caminham lado a lado e convergem em uma mesma direção: alimentar o mundo e mitigar, ao máximo, os efeitos negativos da produção melhorando os resultados ao longo da cadeia de produção.
Fonte: Scot Consultoria
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