Iniciativa pioneira no Pantanal estabelece critérios rigorosos de produção, reforça o bem-estar animal e garante valorização da carne produzida com responsabilidade ambiental. Mais do que um selo, o conceito de “boi sustentável” está diretamente ligado a um sistema produtivo
A busca por uma pecuária mais eficiente e alinhada às exigências ambientais tem ganhado força no Brasil — e uma das iniciativas que simbolizam esse avanço é o Protocolo Carne Sustentável da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica (ABPO). Mais do que um selo, o conceito de “boi sustentável” está diretamente ligado a um sistema produtivo planejado em todas as etapas da cadeia, com foco na responsabilidade ambiental e na excelência do produto final.
O programa propõe uma transformação na forma de produzir carne bovina ao estabelecer critérios técnicos que unem sustentabilidade, bem-estar animal e boas práticas de manejo, ao mesmo tempo em que ampliam o acesso dos produtores a mercados mais conscientes.
Produção responsável como diferencial competitivo
O protocolo detalha requisitos específicos tanto para a produção quanto para o processamento da carne, garantindo que cada fase seja conduzida sob padrões previamente definidos. No conceito de “boi sustentável”, entre os pilares da certificação estão:
- Sustentabilidade ambiental, com práticas que respeitam os ecossistemas locais;
- Bem-estar animal, assegurando condições adequadas de criação;
- Boas práticas de manejo, fundamentais para a eficiência produtiva e qualidade da carne.
Esse conjunto de exigências tem como objetivo assegurar ao mercado um produto de excelência, reforçando a confiança do consumidor e aumentando a competitividade da carne brasileira.
Documento estabelece regras claras para toda a cadeia
O chamado Memorial Descritivo da ABPO organiza o funcionamento do protocolo e oferece diretrizes detalhadas. O material apresenta:
- Requisitos técnicos para produção e processamento;
- Responsabilidades bem definidas para produtores e certificadoras;
- Alinhamento total com princípios de sustentabilidade;
- Planejamento cuidadoso de cada etapa da cadeia produtiva.
Na prática, isso significa maior transparência e rastreabilidade — fatores cada vez mais valorizados pelo mercado nacional e internacional.
“Boi sustentável”: Adesão voluntária, mas estratégica
A participação no protocolo “boi sustentável” é uma escolha voluntária do produtor, porém com benefícios claros. Ao aderir ao sistema, o pecuarista passa a:
- Valorizar seu produto, agregando diferencial competitivo;
- Preservar o meio ambiente, atendendo às novas demandas do setor;
- Conectar-se a um mercado mais consciente, disposto a reconhecer práticas responsáveis.
O movimento também busca ampliar o engajamento do setor produtivo, convidando pecuaristas a conhecerem o modelo e entenderem como aderir ao programa.
Incentivo fiscal reforça atratividade
O protocolo foi desenvolvido pela ABPO, que atua como detentora da metodologia, enquanto a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) exerce a gestão da iniciativa dentro do conceito de “boi sustentável”.
Além do reconhecimento de mercado, os produtores participantes podem ter acesso a incentivos fiscais por meio do Proape/MS, programa vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (SEMADESC).
Esse suporte institucional fortalece o projeto e contribui para ampliar a adoção de práticas sustentáveis na pecuária.
O boi sustentável: Uma pecuária conectada ao futuro
Considerada uma iniciativa pioneira, a Carne Sustentável da ABPO promove um novo posicionamento para a bovinocultura brasileira, especialmente em regiões sensíveis como o Pantanal. Ao garantir valorização e reconhecimento para a carne produzida de forma responsável, o protocolo sinaliza uma tendência irreversível: o futuro da pecuária passa pela combinação entre produtividade e sustentabilidade.
Para o produtor, aderir a esse modelo deixa de ser apenas uma escolha ambiental e passa a representar uma estratégia de mercado, capaz de gerar diferenciação, fortalecer a reputação da atividade e atender às crescentes exigências dos consumidores.
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