Longe de estar estagnado, setor de mercado de terras rurais vive uma virada estratégica impulsionada por dados, tecnologia e investidores mais exigentes — e quem não acompanhar pode ficar para trás.
Se tornou comum, nos últimos anos, ouvirmos no setor rural brasileiro que “o mercado de terras está parado”. Essa percepção atinge tanto os proprietários quanto corretores e investidores menos atentos aos dados que, hoje, dominam este mercado. Quando observamos o que está sendo ofertado e, principalmente, os negócios recentemente fechados, o cenário mostra o contrário. Há, na verdade, um grande volume de transações acontecendo, mas sob outra orientação.
A falta de compradores não é uma realidade. O que mudou foi o nível de exigência deles. No Brasil, a terra sempre foi um ativo de grande procura, seja para produção, reserva de valor ou expansão patrimonial. Durante muito tempo, porém, o mercado rural operou com forte influência da informalidade.
Muita expectativa e menos evidência, preços baseados no boca à boca e, até mesmo, a “intuição” da cadeia de operadores do mercado informal de compra e venda de ativos rurais foram aspectos dominantes ao longo da história. Felizmente, não são mais.
Hoje, cada vez mais, tudo é feito com excelência em termos de padronização de informações e assertividade. O comprador, seja investidor ou produtor, compara ativos, analisa risco climático, histórico de produção, logística, regularidade documental, potencial de retorno e liquidez. A decisão é cada vez menos emocional, dando mais espaço à técnica.
Quando uma propriedade permanece muito tempo à venda, isso não é, necessariamente, sinal de falta de demanda. Na maioria dos casos, é um sintoma de desalinhamento com essa nova lógica, sendo muitas vezes os preços fora da realidade de mercado o aspecto que mais impacta negativamente.
Paralelamente, a ausência de dados produtivos, insegurança jurídica ou divulgação inadequada para o público também afastam compradores qualificados. A terra pode ser boa, mas se não estiver posicionada de forma profissional, perde competitividade frente diante de tantas oportunidades.
É por isso que a incorporação de dados e métricas ao mercado de terras não é tendência, é necessidade. Indicadores como o ICVH (Índice Chãozão de Valor da Hectare) caminham nessa direção ao oferecer leitura mais objetiva sobre a média de valores de mercado e dinâmicas regionais. Eles ajudam a transformar percepção em parâmetro, enquanto a expectativa vira análise.
A tecnologia, portanto, cumpre papel central no processo maior de profissionalização. Plataformas especializadas vêm estruturando um ambiente mais transparente. Ou seja, mais do que apresentar a terra, é necessário método para vendê-la. O processo atual envolve diagnóstico de mercado, baseado sobretudo em dados reais e rigorosamente atualizados.
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A errada percepção de que mercado de terras rurais parou ignora completamente essa transformação. Parou pra quem não está se atualizando.
O que estamos vivendo é a transição de um modelo informal para um mercado mais técnico, já observado há décadas em outros segmentos imobiliários que já passaram por esse amadurecimento. E quem entende essa mudança consegue liquidez.
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